Painel Imobiliário

Expectativas para 2004

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O Mercado Imobiliário não tem muitos motivos para comemorar. O ano de 2003 foi o pior dos últimos cinco anos. Tanto que estima-se uma redução de quase 8% no PIB do setor.

Para o presidente da ADEMI-RJ, Márcio Fortes, o problema é que nada é feito para a produção de novos empreendimentos. "Não há programas de financiamento adequados à realidade do País. A Construção Civil deve ser vista como atividade fim. Não adianta financiar apenas imóveis usados e materiais de construção", analisa Márcio.

Basta olhar os números da Caixa Econômica Federal para verificar que, até outubro de 2003, dos recursos do FGTS, foram aplicados apenas cerca de 3 bilhões de reais. Destes, 2,1 bilhões foram destinados a programas de financiamento de imóveis prontos e de materiais de construção e apenas 900 milhões para a produção de imóveis novos, o que representa um financiamento de 30 mil unidades.

Na caderneta de Poupança o quadro não é diferente: foram aplicados 426 milhões para a produção de 8.400 unidades novas e 850 milhões para financiamento de imóveis prontos.

A Diretoria da ADEMI-RJ é unanime: 2003 foi um ano improdutivo, mas há perspectivas de mudança para 2004. Veja a expectativa dos membros da Diretoria e do Conselho da ADEMI para o ano novo e sua análise sobre o ano que se encerra:

Francisco Martinez (Paquito) - vice-presidente da ADEMI-RJ

"O ano de 2003 não poderia ter sido pior. Os números de financiamento para imóveis novos conseguiram ficar abaixo dos de 2002, quando obtivemos apenas 40 mil novas unidades. Acredito que a mudança de governo, a crise da capacidade de compra da população e, principalmente, a dificuldade em conseguir empréstimos pela Caixa Econômica foram os principais motivos para a performance negativa do setor.

Mas a perspectiva para o próximo ano é positiva. Se os programas habitacionais continuarem acessíveis ao público, os números de unidades de empreendimentos para 2004 pode chegar a 100 mil. Além disso, se houver um foco maior na base da pirâmide econômica, através de subsídios, poderemos ter uma decolagem nos programas habitacionais que enfocam pessoas que ganham até 3 salários mínimos, impulsionando, assim, o setor". 

Rogério Chor - 1º vice-presidente da ADEMI-RJ

"O ano de 2003 não foi produtivo para a Construção Civil. Entre os fatores que influenciaram posso destacar a taxa de juros alta e a recessão da economia do País. Mas estamos confiantes em 2004. Se o Governo cumprir o que vem prometendo, o setor com certeza conseguirá alcançar a produção de novos empreendimentos e assim gerar novos empregos e movimentar a economia do País".


Roberto Kauffmann- Conselheiro da ADEMI-RJ

"Os números de imóveis novos este ano são inexpressíveis. Mas o Governo sinaliza uma nova fase mais positiva. A liberação de 7,45 bilhões para o orçamento do FGTS 2004 é o início. Desse total, 3,6 bilhões serão destinados à habitação e 1,8 bilhão para saneamento.

Mas não adianta só ter o recurso. Precisamos de novos programas habitacionais mais condizentes com a realidade da população. Além disso, as exigências para as empresas devem ser realistas. Se continuarmos deste jeito, com 30 mil imóveis novos por ano, só conseguiremos reduzir o déficit habitacional brasileiro (em torno de 6,6 milhões) em mais de 200 anos".

Afonso Kuenerz - Vice-presidente da ADEMI-RJ

Para o vice-presidente Afonso Kuenerz, 2004 será semelhante ao ano de 2003. "Talvez seja um pouco melhor, devido ao investimento do governo no setor de Construção Civil. Mas a melhoria só virá com o tempo. Não dá para obter em pouco tempo uma melhoria em nossa legislação", explica.

 



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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]