ADEMI em foco

Entrevista com o presidente

      O presidente Márcio Fortes, em entrevista ao site, comenta o anúncio do governo federal de que pretende investir, este ano, R$ 12 bilhões em construção civil e saneamento, critica a Caixa Econômica Federal por distanciar-se de sua missão e propõe que se estenda à construção civil os conceitos de emergência aplicados no comércio exterior.    

      O governo federal anunciou que vai investir, em 2004, R$ 12 bilhões, em construção civil e saneamento. O que o senhor acha da medida?

      R. É o reconhecimento da importância da questão urbana no país. Saneamento, habitação, transporte coletivo são os pontos fracos do retrato do Brasil de hoje. Pelo aspecto social, urbano, do desenvolvimento e do emprego é o anúncio mais importante do que efetivamente precisa ser feito.

      O senhor acha que falta uma mensagem de confiança no empresariado?

      R. Não só de confiança. O que está pouco claro é que R$ 12 bilhões não são recursos colocados à disposição pelo governo federal, que não tem esse dinheiro. É a soma de todos os recursos passíveis de mobilização pelos governos em todas as esferas e pela iniciativa privada, tanto na área de habitação, quanto na área de saneamento e infraestrutura. Nesse caso, a iniciativa privada ficará encarregada do risco, a ser suportado pelo investimento e pelo seu retorno. O governo federal, neste caso, entraria também como financiador, através do BNDES, do Banco do Brasil e, sobretudo, da Caixa Econômica Federal.

      Aí é que está o problema porque as dificuldades que a CEF vem enfrentando para superar a síndrome da Encol e voltar a operar como banco responsável pelo desenvolvimento urbano são muito grandes, pelo que temos visto. Na realidade, a Caixa está se comportando, cada vez mais, como um banco concorrente dos bancos privados, com análises de crédito rígidas, com compromissos com os indicadores internacionais de boa saúde financeira dos bancos. Tudo está muito certo, mas a CEF não poderia esquecer a sua missão, que não é, como ocorreu no ano de 2003, a de fazer mais e mais cartas de crédito e financiamentos a compra e venda de imóveis prontos porque isto não dá emprego e não repõe o estoque de imóveis para o suprimento do déficit habitacional.

      O senhor pode falar especificamente sobre o problema da falta de crédito?     

      R. Em  qualquer lugar do mundo, o crédito de longo prazo, em condições adequadas, é fundamental para a indústria imobiliária e para o desenvolvimento urbano. Não temos hoje, no Brasil, qualquer tipo de formulação clara em relação a fluxo de crédito que seja adequado à questão urbana. Não só nos juros, mas também nos prazos, nos percentuais de financiamento, nas modalidades a aplicar e isso realmente é, nos elos da cadeia produtiva do mercado imobiliário, o mais gravoso nos tempos de hoje.

           Qual seria a solução?

     R. É estender à construção civil os conceitos de emergência nacional que foram aplicados no comércio exterior. É preciso que o governo entenda que esta é uma prioridade nacional. Subsidiar, se necessário, direcionar recursos. O  correto desenvolvimento urbano nacional só acontecerá na medida em que qualquer cidadão possa encontrar à sua disposição um imóvel adequado à sua situação social e à sua condição de renda.



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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]