ADEMI na Imprensa

Mazelas do crescimento

O Globo, Barra, Rodrigo March, 16/Mar

Área de maior crescimento proporcional da cidade, mas que a reboque do boom imobiliário ganhou favelas, loteamentos irregulares, engarrafamentos e inúmeros problemas ambientais. A análise da Área de Planejamento 4 (AP-4) do município, que engloba 19 bairros nas regiões administrativas de Jacarepaguá, Barra da Tijuca e Cidade de Deus, é do próprio Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos (IPP) e consta do relatório "Informações da Cidade do Rio de Janeiro para Subsidiar a Câmara dos Vereadores no Processo de Elaboração do Plano Diretor 2005", entregue pelo IPP à Câmara em dezembro do ano passado. Enquanto a população total da área cresceu 29,6% em dez anos, no mesmo período o número de moradores nas favelas mais do que dobrou, passando de 72.182 em 1991 a 144.394 em 2000. Do total de lotes distribuídos na região, 64,5% estão em loteamentos irregulares inscritos na prefeitura. E as áreas naturais diminuíram, nos anos 90, de 55% para 51% do território.

A AP-4, de acordo com o relatório, registra um "fantástico crescimento", sobretudo na região administrativa da Barra, que passou de 5.779 moradores em 1970 para 174.353 em 2000 - uma variação de 2.917% em 30 anos. Já de 1991 a 2000, a população da AP-4 cresceu 29,6%, um ganho absoluto de 155.749 moradores. Na Barra, a variação no período foi de 76,5% (mais 75.562 habitantes), um "verdadeiro boom", segundo o relatório do IPP.

O desenvolvimento acelerado da área é indicado também por sua participação, de 25%, na variação do total de domicílios da cidade entre 1991 e 2000. Em 2004, de acordo com a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), a região respondeu por 69,3% das unidades lançadas nos empreendimentos imobiliários da cidade. A AP-4 é a área do município com o maior número de licenças de construção.

Mas o "fantástico crescimento" também foi verificado nas favelas da região, que abrigaram a mão-de-obra da construção civil. Entre 1991 e 2000, a região recebeu um fluxo migratório de 38.379 pessoas, sendo que 60,7% tiveram Jacarepaguá como destino e 38,4%, a Barra. Do total de migrantes, 81,5% eram de fora do estado, o maior fluxo deste tipo entre as cinco áreas de planejamento da cidade.

Sem controle do município, os loteamentos irregulares acabaram também se multiplicando. Hoje, há 3.029 lotes distribuídos em quase um milhão de metros quadrados na região, sendo que 1.955 (64,5%) estão em loteamentos irregulares inscritos no Núcleo de Regularização de Loteamentos da prefeitura.

Com a expansão desenfreada, o impacto ambiental é notório. A cobertura vegetal nativa sofreu perda de 866 hectares de florestas, um hectare de vegetação de mangue e 27 hectares de vegetação de restinga. Na Praia do Pepê e no Quebra-Mar, houve redução das condições de balneabilidade, de acordo com o relatório do IPP.



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