ADEMI em foco

Urbanismo e Segurança

Essas comunidades, com becos e vielas acessíveis somente a pé, possibilitam a criação de baluartes inexpugnáveis, impedindo a ação governamental. Em meados do século XIX, em Paris, o Barão Haussmann fez importante reforma urbana, criando as largas avenidas atuais no lugar de bairros semelhantes às nossas comunidades, com o objetivo principal de garantir a segurança. Pereira Passos fez modernização semelhante no Rio, abrindo, entre outras, a Av. Rio Branco, e trabalhando em parceria com Oswaldo Cruz na questão do saneamento básico.


Intervenções tão radicais são impensáveis nos dias de hoje. Mas há que cuidar e apoiar as comunidades de baixa renda, estabelecendo limites e normas para seu crescimento, que irão beneficiar principalmente os atuais habitantes. Uma proposta é limitar o gabarito em 3 pavimentos nas artérias principais, 2 nas secundárias e 1 nas vielas mais estreitas, e impedir a expansão horizontal.


Essas medidas poderão ser implantadas com maior facilidade provendo os moradores de títulos de propriedade. Desta forma, eles passarão a defender seu patrimônio, com reflexos positivos para toda a comunidade, inclusive no desenvolvimento da cidadania. Se o terreno ocupado for de propriedade particular, é necessária desapropriação para fins de utilidade pública e posterior doação aos moradores. Trata-se de encarar de frente e investir num problema gravíssimo, cujos reflexos atingem a totalidade da população.


Simultaneamente, devem ser criadas novas opções de moradia para atender à demanda sempre crescente, em especial para as faixas de renda baixa e média, com planejamento, legislação urbanística e financiamento que possibilitem a atuação da indústria formal da construção. O fato de que no Rio a construção ilegal já é maior do que a legal denuncia a gravidade da situação. A ilegalidade é um forte vetor da fragmentação do tecido social, da evasão de impostos, da destruição do meio ambiente, da insalubridade, da violência.


As tentativas que a Prefeitura vem fazendo para reorganizar e planejar nossos bairros vêm sendo travadas pela Câmara Municipal há mais de dez anos. Projetos de Estruturação Urbana de bairros como Tijuca, Méier, São Cristóvão, Taquara, estão engavetados. Com os projetos da atual administração não está sendo diferente. Nossa legislação urbanística segue engessada, elitista, ultrapassada, sem acompanhar a dinâmica da cidade e as necessidades da população. Essa situação tem que ser revertida.


Fundamental é, também, o investimento na abertura de novos bairros, que é o processo sadio de expansão das cidades. Vargem Grande e Pequena, Camorim, Pontal, Guaratiba e Campo Grande, entre outros, apresentam extensas áreas não urbanizadas, ideais para condomínios de casas com muito verde e qualidade de vida. É só criar condições para que as construtoras possam atuar.

Vontade política, interesse e amor pelo Rio são indispensáveis para que possamos voltar a habitá-lo com segurança e dignidade.


Afonso Kuenerz, vice-presidente da ADEMI



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