ADEMI em foco

Ainda é possível

Um milhão e meio de cidadãos residem nas favelas cariocas, sob controle do poder paralelo, em condições precárias de higiene, habitabilidade e segurança. A seguir no ritmo das últimas décadas, em alguns anos essa população será maior que a dos bairros tradicionais, colocando em risco a própria governabilidade de nossa cidade. Embora crítica, esta situação ainda não é irreversível. Um grande esforço conjunto a nível municipal, estadual e federal pode não só salvar o Rio, como criar condições de vida dignas para todos.

A polícia, reestruturada, tem que assumir sua verdadeira função: dar segurança e apoiar a população. Onde houver locais inacessíveis, deverão ser abertas ruas, permitindo o rápido acesso não apenas de forças policiais, mas também dos diversos serviços públicos. Os projetos devem buscar formas de participação dos moradores no processo. Sem dúvida são eles os que mais sabem sobre seus problemas de habitação.

Por tudo isso, a parceria entre estado e município é indispensável. A indústria e o comércio precisam ser atraídos para as proximidades, através de incentivos fiscais, reocupando as indústrias abandonadas - no caso, por exemplo, dos bairros da Leopoldina - e provendo emprego e a melhoria das condições econômicas. Havendo segurança, isto não será difícil de conseguir, pois mão-de-obra e mercado consumidor estão disponíveis.

Contudo, nada disso será eficaz se as favelas continuarem crescendo. Devemos eliminar a principal causa dessa expansão: a falta de opção de moradia para a população de baixa renda. É necessário voltar a permitir, em locais adequados, próximos às ofertas de transporte e trabalho, a produção de loteamentos populares com infra-estrutura incompatíveis com a renda dos interessados. Projeto de lei visando à redução dessas exigências foi enviado recentemente à Câmara Municipal pelo prefeito.

Importante também é a prefeitura investir na abertura de avenidas periféricas, estimulando a implementação desses loteamentos e de conjuntos habitacionais para baixa renda pela indústria formal de construção civil. Ao governo federal cabe restabelecer um programa em grande escala para a produção desses conjuntos. O desafio, que se coloca para todos, é crucial: fazer, em poucos .anos, o que não se fez em décadas, e incluir o cidadão de baixa renda, uma das maiores vítimas da violência.

Afonso Kuenerz - Vice-presidente da ADEMI



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