ADEMI em foco

Setor Imobiliário precisa ir em busca de investimentos asiáticos

José Carlos Pellegrino é o empresário que trouxe a Fiabci para o Brasil, em 1975. Foi não só o criador da Fiabci/Brasil, mas seu primeiro presidente.

Em entrevista concedida após a recente palestra do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, no Secovi-SP, Pellegrino, que esteve nela presente, deixou bem claro: a hora é mais do que oportuna para o setor imobiliário brasileiro começar a atrair financiamentos russos, australianos e asiáticos. E arrematou: a Fiabci/Brasil precisa fazer um esforço nesse sentido.

Pellegrino elogia a ação da atual diretoria da Fiabci/Brasil, ao lançar a "Cruzada pela Habitação Popular". Para o fundador da Fiabci/Brasil, essa idéia de criar um grupo de trabalho que vá atrás de soluções na área da habitação popular, para aplicá-las no Brasil, é mais do que oportuna: "Não só porque vai dar grandes frutos, mas porque pode se tornar uma das boas maneiras, também, de viabilizar a busca de investimentos estrangeiros, especialmente o asiático."

Ele entende que, dentro desse mesmo espírito da 'Cruzada', a Fiabci/Brasil poderia também criar instrumentos para conquistar os investimentos de países como a Rússia, Austrália, Japão, Malásia, Coréia e China. Por que esses países? - pergunta Pellegrino, que imediatamente em seguida responde: "O grande problema do setor imobiliário, hoje, principalmente nas faixas populares, é a ausência de financiamento. Então, uma das saídas está na captação lá fora ou em investimentos estrangeiros diretos em habitações, aqui no Brasil. E, hoje, as nossas maiores possibilidades estão naqueles países.

O ex-presidente da Fiabci/Brasil prossegue: "A Europa não está bem, ainda enfrenta problemas regionais e não tem como pensar em investir no Brasil, no presente momento. Já os norte-americanos tendem a se isolar ainda mais, agora com essa inclinação dos brasileiros de questionar a Alca. Então, a grande opção, a que realmente restou, é a de atrair o interesse de países como China, Japão, Malásia, Coréia, Rússia e Austrália, além de outros do continente asiático."

Pellegrino acha que, justamente para atingir esse fim, a Fiabci/Brasil deveria ter um grupo de trabalho ou alguém exclusivamente voltado para isso: "Precisamos de alguém que faça pessoalmente essa ponte, que vá a esses países, sente-se com os empresários e converse, ali, frente a frente. Alguém que irradie confiança e faça ver que o Brasil é, hoje, o melhor mercado do mundo para se investir, quando se trata de imóvel."
O ex-presidente da Fiabci/Brasil lembra que a Rússia voltou a crescer e que a Austrália está madura para começar a se interessar pelo setor imobiliário brasileiro. Ele diz também que países asiáticos, como o Japão, a Malásia, a Coréia e a China, estão prontos para serem despertados: "Empresas japonesas, como a Asahi, já vieram e se interessaram. Mas seus negócios caíram em mãos erradas e se retiraram. Outras, como a Mitsubishi, Mitsui etc., já estão aqui há algum tempo, mas não atuam na área imobiliária, como o fazem no Japão. Então, é preciso mostrar a elas a verdade, de que vale a pena investir aqui em bons projetos, em locais certos e com gente confiável", comenta.

Segundo Pellegrino, a maior parte das experiências com investimentos estrangeiros não deu certo, no setor, porque se tentou impor, aqui, modelos de fora: "Cada país tem sua própria história, sua própria cultura, suas especificidades. Não adianta apenas trazer modelos e experiências de fora e tentar implantá-los aqui, porque na maioria dos casos eles não funcionam. Por esse mesmo motivo, muitas experiências de empresários brasileiros do setor imobiliário, lá fora, não deram certo."

Por isso, Pellegrino entende que o correto seria atrair financiamentos de fora via "joint-ventures" ou parcerias: "É óbvio que o investimento estrangeiro só vai se dar bem, no nosso setor, se lançar mão da consultoria, da mão-de-obra e da criatividade do brasileiro. Somente esta síntese, que aproveite e se some a toda a experiência imobiliária brasileira, uma das mais ricas do mundo, poderá fazer com que o capital estrangeiro seja bem sucedido em nosso país", conclui.



José Carlos Pellegrino, fundador da FIABC/Brasil, é presidente do Grupo Pellegrino, que atua com avaliações e perícias de engenharia, e negócios imobiliários

FIABC/Brasil - 05/02/02



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