ADEMI em foco

Planejar para crescer

O Rio de Janeiro precisa promover com urgência uma formulação macroestratégica para o seu desenvolvimento econômico. O último estudo abrangente produzido nessa área, no estado, data de 1996/1997. Foi quando a Fundação Getúlio Vargas, patrocinada por várias entidades empresariais e pela Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo, fez o levantamento das vocações e potencialidades econômicas das várias regiões do estado. De lá para cá, ocorreram mudanças estruturais profundas, que alteraram substancialmente os fatores críticos de competitividade intra-regional. Com o fim do monopólio do petróleo, as bacias de Campos e Santos e do Espírito Santo transformaram-se na nova fronteira mundial da indústria petrolífera, aumentando aceleradamente a demanda por bens e serviços no Rio. A indústria naval reativou estaleiros que estiveram paralisados por quase duas décadas. O aumento da produção de gás natural na Bacia de Campos viabilizou a instalação da Rio Polímeros, central de matérias-primas que dará origem, a partir de 2004, a várias empresas de segunda geração petroquímica, concretizando o Pólo Gás-Químico do Rio de Janeiro. Com o gás, abre-se, também, a oportunidade de se alterar substancialmente a matriz energética do estado, pela melhoria do acesso à energia elétrica em várias regiões, até aqui, carentes desse insumo indispensável a qualquer ramo industrial. A conclusão do Porto de Sepetiba cria condições efetivas para que o Rio se transforme no mais importante corredor de exportações do país. Mas, para isso, será necessário melhorar substancialmente a logística no seu entorno, com a construção do anel rodoviário do Grande Rio, que ligará os acessos do estado ao porto; a duplicação da BR-101 e as melhorias operacionais das ferrovias que servem a área, entre outras providências. A realização dos Jogos Pan-Americanos de 2007, e - tenho toda a confiança na nossa vitória - da Olimpíada de 2012, promoverá um choque de demanda na infra-estrutura de turismo não só do Rio de Janeiro como em várias cidades turísticas do estado. O volume de visitantes que virá para esses eventos esportivos não apenas exigirá uma indústria hoteleira de Primeiro Mundo, com oferta de acomodações muitas vezes superior à atual, como preparará o Estado do Rio para um número de turistas em caráter permanente que poderá chegar a 20 vezes o de hoje. Além disso, que se multipliquem e melhorem serviços como restaurantes, pousadas, eventos culturais, vias de acesso; e, acima de tudo, a infra-estrutura de transportes. Há um enorme volume de negócios que se oferecem nessa área, a partir de agora. A redução dos juros, a necessidade urgente de gerar novos postos de trabalho no país e a ênfase que o governo federal pretende dar à construção de novas moradias, principalmente nas regiões metropolitanas, se refletirão na indústria da construção civil, que crescerá aceleradamente de relevância na economia do estado nos próximos anos. Mas, para isso, ela precisa de estímulos concretos, que induzam os empresários a investir sem receio. O Rio de Janeiro vive conjuntura especialmente favorável para retomar o caminho do crescimento sustentável. Mas para que tudo o que se anuncia torne-se real, será preciso que elites empresariais, políticas e governos estadual e dos municípios se organizem. É urgente que se elabore uma estratégia clara, com identificação de potencialidades e problemas a solucionar. MÁRCIO FORTES é presidente do Conselho de Desenvolvimento Regional e Turismo da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Envie para um amigo
Imprima este texto
 
 
 
 

webTexto é um sistema online da Calepino

Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]