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Olimpíada 2012: a vez do Rio

A escolha do Rio de Janeiro para representar o Brasil como candidato a anfitrião da Olimpíada 2012 foi apenas o primeiro movimento de uma estratégia de longo prazo, cujo desfecho só será conhecido em 2005. Uma estratégia que não pode sofrer solução de continuidade e que exige a mobilização de todos: governos, cidadãos, entidades de classe empresariais. A decisão do Comitê Olímpico Brasileiro não poderia ser mais acertada. O Rio de Janeiro, entre as cidades que se candidataram, é a que reúne as melhores qualidades para sediar os jogos olímpicos, sob qualquer ângulo que se analise. Mas não podemos esquecer que esta foi uma decisão de primeira instância. A etapa mais difícil - a seleção pelo Comitê Olímpico Internacional, em 2005 - ainda está para acontecer. E só será vencida se tivermos uma estratégia clara, com ações estruturadas e atribuições bem definidas. Estaremos disputando com candidatas fortes, como Paris, Nova York, Londres, Leipzig e Istambul. Mas nenhuma delas experimenta conjuntura tão favorável como o Rio de Janeiro no atual cenário internacional. Vale ressaltar que, em 2007, o Rio sediará os Jogos Pan-Americanos. Em 2005, quando da decisão do COI, muitas obras e equipamentos esportivos e urbanos já estarão em adiantado processo de construção. Os investimentos pesados já decididos não precisariam ser duplicados. O Rio de Janeiro tem tudo para ganhar a disputa. Basta que arregacemos as mangas e trabalhemos para que isso aconteça. Em primeiro lugar, a Olimpíada precisa ser vista com olhos que enxerguem para além do espetáculo internacional que coloca qualquer cidade na vitrine do mundo. Essa visibilidade seria muito boa, porque nos daria oportunidade de mostrar que o Brasil é mais que um país exótico, com uma natureza exuberante, que é como ainda hoje somos vistos por grande parte da população mundial. Mas é preciso que os brasileiros vejam na Olimpíada uma oportunidade política e o universo de negócios que ela pode alavancar. Os brasileiros escolheram um novo governo apostando, entre outras coisas, na geração de novos empregos e no equilíbrio da economia. E um evento esportivo como esse ajusta-se à perfeição a esses objetivos. Primeiro, pelo impacto de longo prazo que ele promove na indústria do turismo. Depois, porque essa é uma indústria que, se bem conduzida, pode gerar divisas em moeda forte, com pouco investimento. A indústria do turismo é uma das atividades que ocupam maior volume de mão-de-obra, em vários níveis de qualificação. E o incremento do turismo externo é um dos meios mais eficientes de captar recursos em moeda estrangeira, vital para o equilíbrio do balanço de pagamentos. Qualquer coisa que o turista compre no país é dinheiro vivo em moeda forte, que ingressa na economia. A experiência de outros países mostra que a Olimpíada pode ser um ponto de inflexão na economia de uma cidade. E até mesmo de um país. Foi o que aconteceu com Barcelona. O volume de turistas que acorre a um evento desse porte acaba por criar fluxo permanente que se mantém por muitos anos, dinamizando vários setores da economia. Nova York, Londres e outras cidades européias vivem, hoje, sob constante vigilância contra o terrorismo. Istambul, em que pese a história fascinante e a fantástica arquitetura, está no Oriente Médio, em permanente conflito e com fuso horário desfavorável para o público que mais consome TV em tempo real no planeta. O continente europeu, a Austrália e a Ásia já foram contemplados com olimpíadas anteriores. O Rio de Janeiro é a única candidata do hemisfério sul. E desta vez não divide a aspiração com nenhuma concorrente da região, como ocorreu em 1996, quando disputou com Buenos Aires, na América do Sul, e a Cidade do Cabo, na África. O Rio de Janeiro tem o fuso horário mais favorável aos telespectadores dos Estados Unidos e da Europa juntos, entre as cidades que se candidataram. E um espetáculo dessa natureza mobiliza bilhões de dólares em comunicação televisiva. Tudo isso não será suficiente, entretanto, se não nos mobilizarmos para que as coisas aconteçam. É preciso que o governo federal perceba a importância política e econômica desse evento. Que os governos estadual e municipal, como tem feito o prefeito Cesar Maia, se engajem objetivamente nessa luta. E que as entidades empresariais tenham visão suficiente para perceber as oportunidades de negócio que se abrirão com os jogos olímpicos realizados aqui. A chance é agora. Nunca tivemos conjuntura tão favorável. Resta-nos trabalhar para que isso aconteça. MARCIO FORTES é presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário.

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]