ADEMI em foco

Tolerância Zero

Acionada pela Procuradoria-Geral da União, a Justiça tem que agir com rapidez para evitar que o entorno do Jardim Botânico se torne mais uma arapuca social favelizada. Em 2000 havia, dentro da reserva florestal, 150 moradias e atualmente, calcula-se, o número subiu para 600. É mais que meio caminho andado para o caos. Há direitos discutíveis nessa ameaça concreta de destruição da reserva. Gente que mora lá há mais de 60 anos - com autorização dada pela União - pode até invocar direito cristalizado pelo tempo. Mas é só. À sombra de ocupação que se supõe legitimada pelo passar dos anos - ou pela vista grossa das autoridades - cresce rapidamente a mancha urbana que vem comendo a floresta pela raiz, e pode levá-la ao extermínio em vários pontos à volta do Jardim Botânico. O único direito verdadeiramente em jogo é o do patrimônio comum. Os autores de esbulho tão criminoso não podem nem devem ser assistidos pelo direito. O Jardim Botânico não é latifúndio improdutivo nem acampamento loteável para fins de favelização. Por isso, a Justiça não pode se dar ao luxo de demorar com a única solução verdadeiramente legal para o problema: tolerância zero. Invasores têm que ser expulsos da área e as casas construídas irregularmente têm que ser demolidas. Quanto mais rápido, melhor. Moradores dos bairros vizinhos temem que se concretize o que já circulou como boato: em lugar da reintegração de posse pela União, moradores atuais seriam autorizados a continuar residindo na área esbulhada. A direção do Jardim Botânico tenta mapear a ocupação e enviou ofício ao Ibama pedindo providências. Não se sabe ainda o tamanho exato do estrago feito pelos invasores. Qualquer que seja, tem que ser reparado.

Envie para um amigo
Imprima este texto
 
 
 
 

webTexto é um sistema online da Calepino

Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]