ADEMI em foco

Belo legado para o Rio

Márcio Fortes

Os Jogos Pan-Americanos superaram qualquer expectativa, mesmo de seus organizadores. A frase dita pelo presidente da Odepa, Mario Vázquez Raña,  de que foi "o maior Pan de todos os tempos", faz jus à verdade. A conjugação de equipamentos esportivos novíssimos com nossas antigas arenas recuperadas e a demonstração de colaboração entre as três esferas de governo - federal, estadual e municipal - propiciaram o retorno do espírito positivo do carioca. Nosso amor próprio foi resgatado, os visitantes estrangeiros, em número inédito de comparecimento, encontraram uma cidade ordeira e progressista. Nossa população adotou as boas vindas.. 

É certo que tivemos outros eventos no passado. A Rio-92 provavelmente foi a maior delas, sem falar da exposição do Centenário em 1922. Mas, o Pan-Americano fez combinar tudo o que ocorreu nos grandes eventos anteriores com a vibrante participação popular. O público foi em massa ao Maracanã e aos vários outros locais de competição.

A partir de agora, a cidade do Rio de Janeiro será outra. Não que as vias de tráfego tenham sido alargadas ou que o Pão de Açúcar esteja pintado de vermelho. Menos ainda, lamentavelmente, que os nossos enclaves sub-humanos - as dramáticas habitações em favelas - tenham sido contemplados por algum projeto (que já merecemos há muito tempo) de reurbanização de suas vielas e de reassentamento de parte de seus moradores.

A cidade será outra devido aos jogos Pan-Americanos. Eles legaram à nossa cidade os maravilhosos equipamentos desportivos, objeto de projetos cuidados e esmerada execução, em cinco conjuntos de locações, a saber: o núcleo entre a Barra da Tijuca e Jacarepaguá, em torno do Autódromo e da Vila do Pan; o núcleo da Zona Sul, que inclui a Lagoa Rodrigo de Freitas, a Avenida Atlântica e o Parque do Flamengo; o núcleo Maracanã, agora enobrecido pelo espetacular Estádio João Havelange, no Engenho de Dentro; e o núcleo da Zona Oeste, com sua fantástica sede para provas eqüestres e de tiro.

Com construções novas, adaptação de equipamentos antigos, modernização de espaços urbanos e, sobretudo, uma postura otimista, a cidade foi vista por milhões de observadores, tanto os que nos visitaram, como aqueles que acompanharam os Jogos Pan-Americanos e a movimentação da cidade pela televisão, pelo rádio e pela internet.

Já sabemos que nossa cidade tem vocação para o turismo, o entretenimento, o lazer, o esporte etc. Por isto, é muito feliz o anúncio publicitário de que no Rio de Janeiro se pratica esporte dentro de um cartão postal, com o Cristo Redentor nos olhando o tempo todo. Quem nos olhou também foi o mundo como um todo, além do Cristo. E nos saímos muito bem. Não só pelo cartão postal, mas, sobretudo, pela tradicional capacidade da população de bem receber visitantes nacionais e estrangeiros.

O legado de equipamentos é fascinante. Conjugado ao espírito desportivo, estaremos incluídos, daqui para a frente, entre as locações mundialmente capazes de receber grandes eventos. Não só a Copa do Mundo, em 2014, em que faremos parte da constelação de grandes cidades brasileiras, com bons estádios - e, com certeza, poderemos ser a sede do evento. Mas também os Jogos Olímpicos, em que se possibilite a participação de cidades da América do Sul, em qualquer momento do futuro.

Envie para um amigo
Imprima este texto
 
 
 
 

webTexto é um sistema online da Calepino

Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]