ADEMI na Imprensa

Caem mitos da zona sul

O Globo, Luciana Calaza, 12/ago

Em março de 2006, a microempresária Lilian Lontra começou a anunciar a venda de seu quatro-quartos de 220 metros quadrados, no Alto Leblon. Um ano e cinco meses depois, ela acaba de fechar negócio, mas com deságio de 27% sobre o valor inicialmente pedido. Assim como Lilian, há vários outros proprietários de imóveis no Leblon e em Ipanema numa longa espera por um comprador. Ou seja, já não passa de lenda a história de que, nos dois bairros mais valorizados do Rio, há uma fila de interessados na porta de cada imóvel anunciado.

Outros mitos estão sendo derrubados no mercado imobiliário da Zona Sul do Rio. Aqueles baixos aluguéis encontrados no Flamengo já não são os mesmos. Pesquisa do Sindicato da Habitação do Rio mostra uma valorização de 15% nos últimos dois anos, tanto no valor de aluguel como no de vendas. Nas ruas mais nobres, um três-quartos chega a ser alugado por R$4 mil.

Já São Conrado, bairro marcado pelo estigma da violência, registrou aumento de velocidade de vendas de 18% nos últimos 12 meses, segundo levantamento da Ximenes Empreendimentos. E, em conversa sobre preços de imóveis luxuosos no Leblon, por exemplo, os empresários não falam mais em dólar: o que vale mesmo é a moeda nacional (o metro quadrado na praia sai por R$ 25 mil).

No Flamengo, um aumento de 20%

Para os especialistas do setor, o que acontece no Leblon é conseqüência do que se sabe há tempos: os preços no bairro bateram no teto. Com valores altos, a tomada de decisão fica mais lenta.

A lei da oferta e da procura no Leblon elevou demais os preços, e a velocidade de vendas caiu, porque todo mundo quer, mas poucos podem analisa Rubem Vasconcelos, presidente da Patrimóvel.

O vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Rodrigo Caldas, ressalta que as condições oferecidas pelas construtoras para a compra de imóveis na planta também ajudam a dificultar a venda de usados em Ipanema e Leblon:

O público da classe A não tem perfil para usar crédito imobiliário, mas aproveita as facilidades de pagamento oferecidas pelas construtoras. E mesmo esse comprador nem sempre tem o valor do imóvel de uma vez só: fora da praia, há quatro-quartos no Leblon na faixa de R$ 2 milhões.

Já a valorização do Flamengo pega de surpresa quem está atrás de um imóvel no bairro. Como o professor universitário Alexandre Prada, que quer morar em um apartamento maior, por causa da chegada de seu segundo filho.

Moro num dois-quartos, mas há apartamentos de três quartos neste condomínio, que, quando me mudei para cá, há dois anos, cheguei a visitar. Só que os valores cobrados agora, em média R$2,5 mil, chegam a ser 20% mais altos que naquela época.

 



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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]