ADEMI na Imprensa

Ofertas que atraem um novo perfil

Jornal do Brasil Barra, Eduardo Tavares, 02/set

Imóveis com preços convidativos fazem crescer a migração da classe média para a região

A imensa oferta de imóveis na região não tem como conseqüência apenas o seu crescimento rápido e contínuo. No aspecto social, o boom imobiliário também mostra suas marcas. Antes considerada reduto da classe alta, a Barra e bairros vizinhos já abrigam moradores de menor poder aquisitivo, de olho nos preços convidativos dos imóveis. De acordo com a Associação de Diretores de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), no primeiro semestre deste ano, 3.108 imóveis foram lançados na região. Na Zona Sul, no mesmo período houve 386.

Segundo a Ademi, atualmente um imóvel de 100 metros quadrados em Botafogo custa R$ 600 mil. Um apartamento com as mesmas dimensões, no Recreio, pode ser comprado por R$ 300 mil.

- Desde de 1994 e com maior volume a partir de 1999, a Barra vem recebendo uma população migratória originária de Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Niterói, por exemplo - confirma Paulo Fabbriani, vice-presidente da Ademi.- Isso vem aumentando. São famílias que tem o que chamamos renda domiciliar, com receita mensal de R$ 5 mil. Casais sem filhos, ou uma mãe ou pai com um filho.

Segundo Fabbriani, esta família pode bancar o valor do condomínio predial dos novos empreendimentos da Barra, que estão na faixa de R$ 700 - que inclui gastos com porteiros, transporte e áreas externas do prédio. O diretor da Ademi lembra que, hoje, a região da Baixada de Jacarepaguá, que engloba Barra, Recreio, Jacarepaguá e Vargens, conta com cerca de 800 mil habitantes, e com as novas migrações poderá chegar, em 15 anos, a 1,5 milhão.

- Está ocorrendo hoje na Barra uma revolução no sistema de moradia - garante Fabbriani. - Novos condomínios contam com associação de moradores que cuida da estrutura local, como uma subprefeitura própria que define a base de moradia, oferece transporte e segurança. Além disso, contam com uma qualidade de vida muito maior do que tinham nos bairros de origem. Um exemplo é a estrutura ambiental encontrada na Barra.

Meio ambiente atrai

Foi em busca disso que o administrador Luiz Fernando Leitão, de 56 anos, deixou o Méier há um ano e foi morar no Recreio.

- Escolhi a região por dois motivos: o fato de minha filha já residir na Barra e o desejo de melhorar minha qualidade de vida, vivendo em um lugar menos poluído - conta Luiz. - Pensei primeiro em Botafogo, pela proximidade do bairro com o Centro. O preço do imóvel lá era equivalente ao do Recreio, mas o meio ambiente falou mais alto.

Para Canagé Vilhena, assessor da presidência do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio (Crea-RJ), apesar do acelerado crescimento, não há risco de a região ficar saturada, como Copacabana.

- A Barra é muito maior.

Segundo fontes da Ademi, a Zona Sul tem 12 milhões de metros quadrados, contra os 320 milhões da Baixada de Jacarepaguá. Mas Canagé alerta que o futuro para a região pode não ser tão promissor.

- Se não surgirem melhorias no transporte e saneamento, em 10 anos o padrão de vida cairá.

Líderes da região alertam para propagandas enganosas

Para líderes comunitários da região, a mudança no perfil que a Barra experimenta de alguns anos para cá não pode ser visto com preocupação.

- Sem dúvida, esta mudança de perfil tem ocorrido. Mas não existe discriminação. O novo morador que vem para a Barra em busca de melhorar sua qualidade de vida, com certeza, é bem acolhido - garante Luiz Igrejas, vice-presidente da Associação de Moradores do Jardim Oceânico e Tijucamar (Amar).

Para ele, o antigo conceito de Barra elitizada não existe mais.

- Hoje, o operário especializado já consegue adquirir seu apartamento próprio e se sustentar na região - acredita Igrejas. - Mas também acho que existe uma certa exploração publicitária nisso. As vezes, o que é oferecido na planta não é a realidade. Alguns querem melhorar de vida mas são surpreendidos.

Para Sérgio Andrade, secretário adjunto da Federação das Associações de Moradores da Barra e Adjacências (Fambarra), a propaganda para impulsionar a venda dos novos empreendimentos é falha.

- Colocam imóveis à venda indicando que está localizado na Barra, quando na verdade o bairro onde está não faz parte do bairro. Um exemplo é o Camorim, que alguns vendem como Barra e é um bairro de Jacarepaguá - comenta Sérgio. - Até são bons empreendimentos, mas não estão na Barra.

Ele lembra que algumas imobiliárias vendem mais o entorno do que o imóvel, valorizam mais a piscina e o jardim, por exemplo.

- Não que isso não seja importante, mas levam os cômodos do apartamento a um tamanho mínimo exigido, prejudicando o morador - diz o representante da Fambarra. - De qualquer forma, a miscigenação que acontece hoje na Barra é positiva. Já existiu um perfil elitista, mas foi há muito tempo atrás.

Comércio se adapta e lucra mais, apostando na quantidade

O comércio também mudou de cara na Barra. A migração de um novo perfil de moradores para a região fez com que muitos pudessem alavancar seus negócios.

- Em um determinado momento, as lojas mais caras passaram a perceber que ganhariam mais na quantidade do que na sofisticação dos produtos - explica Ney Suassuna, presidente da Associação Comercial e Industrial da Barra (Acibarra).

- Para os comerciantes isso foi bom, as vendas aumentaram. O pequeno e novo empresário consegue encontra demanda para suas mercadorias. Hoje, podem facilmente abrir sua loja em um shopping.

Vivendo na Barra há 35 anos, o presidente da Acibarra revela por que o rótulo de bairro elitista foi dado para o bairro.

- Quando a Barra surgiu, só existiam casas e apartamentos de grande metragem. Quem morava na região pagava não somente pelo imóvel onde residia, mas também pela segurança, transporte e pelos serviços oferecidos, como clubes localizados nos condomínios - lembra Suassuna. - Se tornava caro para pessoas de classe média. Diante disso, ocorria então uma seleção natural e permanecia na região aqueles que tinham um padrão de vida mais alto.

Ele conta que isto estigmatizou muito a Barra, e o bairro acabou pagando um alto preço, pois até alguns serviços eram negados pelo poder público.

- Com o passar do tempo, a região foi crescendo e uma mão-de-obra veio para atender esta demanda. Estes empregados que ajudaram a construir a Barra moravam longe e o sistema de transporte era inacessível, na época. Muitos passaram a morar na região. Daí surgiram as comunidades que estão até hoje aqui. A Barra passou a abrigar dois extremos - conta Suassuna.

O presidente da Acibarra lembra que, com o boom imobiliário, começaram a migrar para a Barra famílias das classes média e média baixa

- Graças a Deus isso aconteceu. Surgiram condomínios e apartamentos menores de quarto e sala. O Parque das Rosas é um exemplo disso. Até as casas diminuíram seu padrão de tamanho, passando a ter menos custo para quem as habita - explica Suassuna. - A mudança de perfil da Barra é um fato, e isso é bom para a região. Não poderíamos viver com dois extremos.



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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]