Depois de quatro meses de estagnação, o volume de financiamentos imobiliários com recursos da caderneta de poupança deu um salto em junho, no melhor mês desde agosto do ano passado. Segundo Rogério Chor, presidente da Ademi, foi justamente o aperto nos financiamentos - e não uma crise na demanda - que deu um freio nos lançamentos imobiliários no ano passado no Rio. Com mais crédito, o setor volta a ter força para crescer.">
 
 

ADEMI na Imprensa

Crédito volta para casa

O Globo, Aguinaldo Novo e Fabiana Ribeiro, 11/ago

Depois de quatro meses de estagnação, o volume de financiamentos imobiliários com recursos da caderneta de poupança deu um salto em junho, no melhor mês desde agosto do ano passado. Os recursos liberados para construção e compra de casa própria somaram R$ 2,975 bilhões no período, uma alta de 24,6% em relação a maio. Na comparação com junho de 2008, quando os efeitos da crise financeira global pareciam longe do país, ainda houve uma queda de 6,78%. O resultado ajudou a engordar o acumulado no primeiro semestre, que foi de R$ 13,6 bilhões, 5,1% a mais que no mesmo período de 2008. A melhora na confiança do consumidor, a queda das taxas de juros e o efeito indireto de programas de estímulo do governo ao setor, como o Minha Casa, Minha Vida, lançado em março, explicariam o desempenho do setor.

- Voltamos praticamente ao nível pré-crise, de setembro passado - disse ontem o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Luiz Antonio Nogueira de França, responsável pelos dados.

Em número de unidades financiadas, junho também foi recorde. De acordo com a Abecip, foram 25.840 imóveis, com alta de 24,1% sobre maio - mas recuo de 20,6% na comparação com junho do ano passado.

Dos R$ 13,6 bilhões registrados no primeiro semestre, R$ 8 bilhões foram usados no financiamento para compra de imóveis prontos (incluindo usados), o que representou crescimento de 40% sobre junho de 2008. Já o valor destinado a novas construções (R$ 5,5 bilhões) acumulou queda de 24% no período, refletindo os efeitos da crise. Junho parece apontar uma recuperação. Em relação a maio, o total só para construção (R$ 1,260 bilhão) apresentou alta de 39,5%. Segundo França, esse volume deve voltar a crescer no segundo semestre, à medida que construtoras e incorporadoras reduzam os estoques de imóveis prontos e acelerem o ritmo de execução de novos projetos.

Na construção civil, a força da classe C

Para 2009, a entidade estima que o volume de financiamentos imobiliários com recursos da poupança chegará a cerca de R$ 30 bilhões este ano, empatando com 2008. A projeção é financiar mais de 300 mil unidades, contra 299,7 mil antes. Considerandose os R$ 15 bilhões para crédito imobiliário previstos no orçamento do FGTS, o mercado contaria no total com R$ 45 bilhões, R$ 5 bilhões a mais que no ano anterior.

Com mais crédito, o setor volta a ter força para crescer, dizem especialistas do setor. Afinal, foi justamente o aperto nos financiamentos - e não uma crise na demanda - que deu um freio nos lançamentos imobiliários no ano passado no Rio, frisou Rogério Chor, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi). Para se ter uma ideia, o número de lançamentos no primeiro semestre do ano caiu de 30% para 40% frente aos primeiros seis meses de 2008 - quando houve alta de 20%. Até o fim do ano, as perspectivas são positivas, prevê o dirigente: - A retomada também vem, em grande parte, graças ao projeto Minha Casa, Minha Vida. Com isso, o setor, que encerrou 2008 com R$ 3 bilhões em lançamentos efetivamente vendidos, deve repetir o desempenho em 2009.

E é a classe C que está impulsionando o setor, ressaltou Chor. Ele explica que essas famílias devem ser responsáveis por 15% do lançamentos vendidos. Em 2010, por 40%.

- E, em 2011, devem representar 60% do setor. É a primeira vez que isso acontece na construção civil.

A Patrimóvel, por sua vez, vendeu R$ 800 milhões no primeiro semestre de 2009 - abaixo dos R$ 950 milhões dos primeiros seis meses de 2008.

Espera um segundo semestre melhor.

A expectativa de Rubem Vasconcelos, presidente da empresa, é a de um faturamento de 2009 igual ao de 2008, de R$ 1,78 bilhão. Para isso, a Patrimóvel criou um braço de crédito que será correspondente oficial do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). A empresa já assinou contrato com a Caixa e negocia com outros bancos.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, destacou ontem que o crédito em geral tem se restabelecido no país, puxado pelos bancos públicos.

Em junho, o volume emprestado pelo segmento era 25,2% superior ao de setembro. Nos grandes bancos privados, o volume era 9,8% superior, na mesma comparação. Já os bancos privados pequenos e médios, mais afetados pela crise, ainda apontavam volume 1,5% inferior, mas em elevação, podendo voltar ao nível de setembro já com os dados de julho.

- A expectativa é continuar o crescimento. Até junho, ele (o crédito dos bancos pequenos) já estava se aproximando do crescimento. Vamos ver, agora, os dados do fim de julho, para ver se já entramos em terreno positivo - disse Meirelles em cerimônia na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Ontem, a Abecip também apresentou dados mostrando que ainda não existe migração de recursos dos fundos para a poupança, que passou a garantir melhor remuneração para os pequenos investidores com a queda dos juros. Segundo França, enquanto o saldo da poupança apresentou variação de 7,4% no ano até julho, os fundos avançaram 15,5%. O governo estuda baixar a tributação dos fundos e chegou a anunciar um projeto para cobrar Imposto de Renda para valores acima de R$ 50 mil na poupança, mas ainda não o enviou ao Congresso.

Colaborou Felipe Frisch



Envie para um amigo
Imprima este texto
 
 
 
 

webTexto é um sistema online da Calepino

Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]