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Márcio Fortes: Investidor quer regras claras

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Investidor quer regras claras e duradouras

Márcio Fortes


A macroeconomia cumpriu bem aquilo que se plantou nos últimos anos no Brasil: rigidez fiscal, manutenção de superávits com recursos públicos, cumprimento e respeito aos orçamentos, política cambial realista e juros conservadores. Sem julgamento de valor em relação a tais políticas, o crescimento do PIB, estimulado pelas exportações, pelo agronegócio e o discreto aumento da renda são uma realidade.

O efetivo desafio começa, portanto, agora já que temos bases macroeconômicas sólidas. Trata-se de distribuir o crescimento do PIB de forma equânime entre todos os setores, regiões e pessoas da sociedade e, ao mesmo tempo, continuar forçando a melhor distribuição da renda. Sim, porque de nada adianta um único setor crescer e os outros, não. Um grupo pequeno de pessoas enriquecer cada vez mais, às vezes, em detrimento da grande maioria. 

A saúde, portanto, da economia de um país como o Brasil não pode se limitar à análise macroeconômica. Precisa urgentemente observar os outros indicadores, entre os quais o mais importante é o emprego, ou seja, a ocupação legal, formal e organizada de todos. Dos que chegam ao mercado de trabalho, dos que lá já estão e dos que atingem a terceira idade em plena capacidade produtiva.

E isso se faz usando a macroeconomia como base para uma atuação de todos os setores da atividade nacional. Os tratos com o meio ambiente, por exemplo, não poderiam destinar-se apenas à preservação do patrimônio ambiental, mas à correta utilização desse patrimônio em benefício da produção. Não se quer destruir as florestas. O que se quer é que o manejo florestal não seja predatório. 

 A atração de capitais de longo prazo exige uma correta regulação das relações entre o Estado, o governo e os empresários que estimule os investimentos preservando os direitos dos consumidores, as razões de Estado, mas sobretudo, a rentabilidade dos capitais investidos. O que se faz com uma equação traduzida numa única frase: regras claras e duradouras, cuja aplicação se ampara na segurança jurídica.

Assim, virão capitais do setor privado para a infraestrutura sustentados em enorme confiança nas iniciativas do poder público e na expectativa engajada da sociedade que passará, numa espiral positiva, a poupar mais e desperdiçar menos, sobretudo, desperdiçar menos em bens absolutamente supérfluos, cujo consumo seja adiável.

O agronegócio, por exemplo, não poderá continuar a crescer apenas naquilo que seja extensivo e exportável, mas também na agricultura de subsistência, na pequena agricultura, na correta utilização da terra e na logística de transporte para escoamento. Enfim, todos os fatores envolvidos na produção têm que igualmente tratados, de forma positiva e construtiva, como aconteceu, em todo esse longo tempo, com a moeda nacional e tudo o que gerou o sucesso da macroeconomia.



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