"A Vila Olímpica e a Vila de Mídia deverão criar cerca de 7 mil unidades habitacionais. Com isso, chegaremos a aproximadamente 15 mil unidades na região. Esse número é muito maior do que a demanda que a Barra consegue absorver por moradias", explica o presidente da Ademi, Rogério Chor.">
 
 

ADEMI na Imprensa

Zona portuária renasce para brilhar na Olimpíada de 2016

Jornal do Commercio, Luan Seixas, 27/mai

Há um consenso entre especialistas de que o legado da Olimpíada de 2016 para o Rio de Janeiro não pode ficar restrito à Zona Oeste da capital fluminense. Para o prefeito IP Eduardo Paes, os preparativos para o megaevento devem ajudar regiões em decadência a retomarem força. Paes tenta levar os dois equipamentos que abrigarão os jornalistas nacionais e internacionais na Olimpíada - Centro de Mídia e Vila de Mídia, que atualmente estão projetados para serem construídos na Barra da Tijuca - para a zona portuária da cidade.

O prefeito apresentou no dia 18 à delegação do Comitê Olímpico Internacional (COI) uma maquete do Centro e da Vila, juntamente com uma proposta de transferência desses equipamentos da Barra para o porto, próximo à Avenida Francisco Bicalho. A apresentação desta mudança foi feita durante a primeira reunião do Consórcio Olímpico governamental formado pelos três níveis de governo - União, Estado e Município - e pelo comitê organizador Rio 2016.

Por outro lado, os locais de competições de badminton, boxe, levantamento de peso e tênis de mesa, que a Prefeitura queria levar para a zona portuária, já receberam cartão vermelho. O comitê afirmou no dia 20 que não haverá mudanças nesses locais de competição. Para a região serão transferidos apenas os seguintes equipamentos: parte da Vila de Mídia, Vila de Arbitro, Centro de mídia não credenciado - que em Pequim, na última Olimpíada, recebeu cerca de 10 mil jornalistas -, Centro de Tecnologia, Centro de Operações, Centro de Credenciamento de Staff e Voluntários, e Centro de Distribuição de Uniformes.

De acordo com Eduardo Paes, a decisão do COI em dizer se o porto poderá receber o Centro de Mídia e Vila de Mídia em sua totalidade não será rápida, pois a comissão terá de avaliar se de fato o projeto é bom para a cidade. "O que dei de garantia para eles, ao propor a transferência de algumas coisas para a área do porto, é de que em nenhum momento deixaremos de cumprir com o que assumimos no contrato firmado. Apenas argumentamos que essa adaptação seria melhor para a cidade, e que teria um impacto muito positivo para os jogos", conta Paes.

O objetivo de transferir esses equipamentos, na avaliação do prefeito, é aproveitar a oportunidade da realização da Olimpíada e ajudar a dar mais impulso ao projeto Porto Maravilha, que pretende revitalizar a Zona Portuária. "Agora, precisamos de uma avaliação deles, por isso vamos aguardar. O que nos deixa otimistas é exatamente a preocupação constante do COI de que a Olimpíada precisa deixar legados para as cidades sedes, e isso já um bom sinal", completa Paes.

MERCADO IMOBILIÁRIO. A intenção do prefeito também está baseada na logística do mercado imobiliário da cidade. Segundo o presidente da Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi), Rogério Chor, a Barra da Tijuca não só não tem condições de suportar o Centro e a Vila, como também não tem condição de receber a Vila Olímpica, que será um condomínio com 3.500 apartamentos para os atletas.

"A Barra vende, tradicionalmente, cerca de 7.500 unidades por ano. A Vila Olímpica e a Vila de Mídia deverão criar cerca de 7 mil unidades habitacionais. Somam-se a esse número as 7.500 unidades em média vendidas na Barra. Com isso, chegaremos a aproximadamente 15 mil unidades na região. Esse número é muito maior do que a demanda que a Barra consegue absorver por moradias", explica Chor.

Na avaliação do engenheiro, a zona portuária é o melhor local para construir a insfraestrutura para a imprensa e a Vila Olímpica. "O porto é a última zona urbana da cidade que ainda pode ser explorada e é bem localizado. Ele é perto da estação de trem, da rodoviária, tem uma vista bacana, e tem uma área grande para fazer uma implantação urbanística bonita. Portanto, não restam dúvidas que a Zona Portuária é a solução", afirma o presidente da Ademi.

Segundo ele, toda região está degradada e precisa de um "up", algo que a levante. "É importante que um conjunto de iniciativas seja feito. Em vistas de ajudar neste 'up', a Prefeitura já pautou algumas obras, como o Museu do Amanhã, o AquaRio e a reforma urbana da região. Agora parece que a Câmara dos Vereadores também vai se mudar pra lá", lembra Chor.

Ele diz que a Olimpíada é um marco para o Rio de Janeiro e que precisa ser explorada da melhor maneira possível, de modo que áreas ainda em desenvolvimento ou em decadência da cidade sejam também beneficiadas. "Só o fato de ligarmos a zona portuária ao evento já promove um clima de ânimo entre investidores. O poder público, contudo, precisa administrar de maneira sadia a questão da construção de moradias, para que não se tenha algo desordenado e saturado", pondera.

O secretário municipal de Desenvolvimento, e também presidente do Instituto Pereira Passos, Felipe Góes, revela que dois projetos de construtoras imobiliárias entraram em análise na Secretaria de Urbanismo do Rio, o que, de acordo com ele, já demonstra o aquecimento da Zona Portuária. "Em janeiro de 2011, as pessoas já verão construções de empresas imobiliárias no porto. Queremos que o desenvolvimento urbano da cidade vá primeiro para lá", promete.

De acordo com Góes, o COI levará de três a seis meses para dizer se aceita ou não a transferência do Centro e da Vila de Mídia para a região. "Estamos muito confiantes que a proposta será aceita. Este projeto tem a possibilidade de maximizar o legado da Olimpíada. Desta maneira, os jogos deixarão uma marca de transformação ainda maior para a cidade", afirma.

O presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil no Rio de Janeiro (IAB-RJ), Sérgio Magalhães, também professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que está lutando para que os investimentos programados para a Olimpíada de 2016 sejam mais vantajosos para a cidade como um todo. "De certo modo, portanto, sou crítico à concentração dos investimentos na Barra da Tijuca", afirma.

Magalhães conta que depois que o projeto Porto Maravilha foi lançado por Paes, ele passou a levantar a bandeira de que a Zona Portuária é o melhor local para levar os investimentos públicos direcionados à Olimpíada. "O IAB fez uma parceria com a Prefeitura, na qual juntamos forças para que esta proposta seja real. Estamos dando total apoio a Paes em levar uma parte das atividades Olímpicas para o porto", conta.

Segundo ele, o entorno do porto tem grande importância histórica, pois foi a partir desta região que o Rio de Janeiro se constituiu como cidade. "O porto que fez com que o Rio se tornasse capital do Império. Foi o porto que também permitiu, quando houve a grande remodelação de Pereira Passos, no século 20, que o Rio se transformasse na Cidade Maravilhosa. Naquela época, o porto foi capaz de conseguir recursos ingleses, e com isso, tivemos chance de construir a Avenida Central, hoje conhecida como Rio Branco", explica.

O presidente do IAB-RJ acredita que se os equipamentos olímpicos forem para a zona portuária, o local terá ainda mais poder de atração de investimentos privados. "Hoje, o porto está praticamente inoperante. Neste cenário de Jogos Olímpicos, contudo, surge novamente a chance de o porto puxar investimentos estrangeiros para o Rio. Com estes equipamentos na região, a Zona Portuária fomentará investimentos que darão nova força para o Centro Histórico do Rio", diz.

EQUIPE. Inspirado em modelos seguidos por cidades que tiveram sucesso na organização da Olimpíada, Eduardo Paes assinou no dia 10 um decreto que cria o Instituto Rio 2016. O objetivo, segundo ele, é ter uma equipe exclusivamente voltada para o acompanhamento dos cerca de 70 projetos, o que dará agilidade e transparência à execução, além de acompanhar a fiscalização orçamentária. O novo órgão ocupará o galpão da escola de samba Unidos do Porto da Pedra, na Zona Portuária.

"Vimos que as cidades que foram bem sucedidas na organização da Olimpíada separaram as atribuições do dia a dia da cidade das dos jogos. Nós temos a secretaria Rio 2016, que cuida também da Copa e dos Jogos Mundiais Militares. Contudo, percebemos que ou a gente se dedica a uma área da administração pública municipal para analisar tudo de Olimpíada, ou dificilmente conseguiremos tocar os jogos. Com isso, resolvemos profissionalizar essa questão", diz Paes.

Embora seja subordinado à Secretaria Especial Copa 2014 e Rio 2016, o nome do secretário Ruy Cezar não foi cotado para a presidência do Instituto. A preferência de Eduardo Paes é que ele seja o representante da Prefeitura na Autoridade Pública Olímpica (APO), criada por medida provisória pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 12.

A APO é um consórcio que reúne os governos federal, estadual e municipal, e coordena praticamente todas as obras do evento. A Autoridade coordenará ações de planejamento e entrega de obras para a realização da Olimpíada de 2016. Acertada já na época da candidatura do Rio à sede dos jogos, funciona como uma garantia oferecida pelo Brasil ao COI.



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