ADEMI em foco

Em Busca de Soluções

A atual direção da ADEMI exerce sua função em conjuntura especialmente crítica para  muitos setores da nossa atividade. De fato, a cadeia produtiva do mercado imobiliário está diante de questões novas, ainda não consolidadas e que, por representarem, de certa forma, surpresa exigem nossa coesão para serem enfrentadas. É o caso, por exemplo, do fator ambiental, ao mesmo tempo tão falado e mal conhecido. Os especialistas, muitas vezes, excedem-se e agem irracionalmente, induzindo à ação do Ministério Público, o que cria uma instabilidade legal. É o caso também dos novos direitos - como o de vizinhança - apenas listados no Estatuto das Cidades e que se somam aos mal definidos itens da defesa do consumidor e às interpretações jurídicas díspares em questões, às vezes, semelhantes.

São fatores novos que se agregam à realidade nos velhos instrumentos de trabalho. O sistema financeiro não conseguiu ainda encontrar uma viabilidade modal para a mobilização de recebíveis e promover o ingresso de recursos no setor que não sejam os velhos conceitos do SFH. Atribuir apenas à elevada taxa de juros a praticamente inexistência de financiamento imobiliário é simplista demais. Percentuais de financiamento inadequados, avaliações de viabilidade pouco competentes por parte de financiadores, prazos incompatíveis com a natureza de nosso mercado, enfim, essa questão, com suas novas faces, não encontrou ainda uma solução.

Ao mesmo tempo, as questões urbanas, como um todo, em que se podem incluir o grave problema do saneamento, o dos transportes coletivos e o da ocupação urbana desordenada não tiveram, até agora, a sinalização do caminho que será tomado. A negativa da presença privada no saneamento choca-se com a ausência de recursos orçamentários. A chamada regularização fundiária não deveria prescindir da construção organizada de habitações populares, hoje praticamente inexistente. Da mesma forma, discussões já superadas no passado sobre o papel da iniciativa privada nos serviços públicos, via privatização, concessão ou permissão, paralisaram a presença de capitais necessários às soluções de infraestrutura urbana.

Tais dificuldades especiais convivem com um momento em que a economia do país apresenta-se com duas faces. O sucesso da política macroeconômica, com a queda da inflação e dos juros, choca-se com a necessidade de estímulos à efetiva produção.Não basta que o agronegócio e a exportação estejam indo bem, se a renda real das famílias cai seguidamente, os impostos aumentam em percentual do PIB e, em conseqüência, todos os mercados enfrentam dificuldades. O mercado imobiliário, por sua grande importância e por sua capacidade de alimentar uma vasta cadeia de produção industrial, reflete de forma expressiva a paralisação da atividade econômica.

A ADEMI, neste momento, está preparada para trabalhar por seus associados. Juntamente com a CBIC, intensifica os estudos e os contatos necessários à elucidação dos problemas e à apresentação de soluções para o setor. Nas áreas financeira, jurídica e urbana participamos ativa e permanentemente das reuniões que culminaram com a Conferência Nacional das Cidades, em Brasília. Paralelamente, estamos colaborando com nossos companheiros de outros estados e de outros elos da cadeia produtiva do mercado imobiliário, sobretudo reunidos na CBIC, para encontrarmos soluções que tenham legitimidade, autoridade e consistência. E que, principalmente, sejam traduzidas para o dia a dia de nossa atividade.

Márcio Fortes



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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]