ADEMI em foco

Turismo, principal ferramenta para o desenvolvimento

     Neste momento de busca de caminhos para o crescimento integral do nosso estado, precisamos entender que o turismo é a principal vocação do Rio de Janeiro. São necessárias apenas pequenas intervenções, menos econômicas e mais estruturais, para o seu completo desenvolvimento. Afinado com o que há de mais moderno, que é o setor de prestação de serviços, o turismo é a atividade que exige o menor investimento por posto de trabalho criado. Tem a vantagem de não se limitar aos espaços urbanos, abrangendo, cada vez mais, áreas rurais inexploradas, com agregação de renda permanente, vinda de outros setores, de outras regiões do país e de várias partes do mundo.

     Quais são os ingredientes básicos que definem a vocação da atividade turística? Paisagem natural, patrimônio cultural e histórico, evocação de tradições, música e comida típicas, afabilidade da população e exercício da democracia no seu sentido amplo, ou seja, convívio tranqüilo entre raças e religiões, mais a multiplicidade de atividades à disposição do visitante. Tudo isso existe no Rio de Janeiro, mais do que em qualquer outro lugar do país.

     O Rio de Janeiro é o berço da História do Brasil. Foi aqui que se fez a nossa civilização formal a partir da instauração do Império. Aqui está a gênese da nossa História republicana. Aqui existe o maior acervo de museus de todo o estado. Temos, ao mesmo tempo, a orla marítima com as atividades esportivas praianas e uma vida noturna espetacular. Temos o samba, que é a mais característica modalidade musical brasileira. E é indiscutível a capacidade de bem receber aqueles que aqui chegam.

     Fora da capital, com o advento da importância crescente da questão ambiental e da vocação aventureira de nossos visitantes, o chamado turismo-aventura, por exemplo, somos também imbatíveis. Temos a Região Serrana, com seus recantos ainda intocados em Nova Friburgo, Petrópolis com sua vocação histórica, os parques nacionais em torno de Teresópolis, as atrações ímpares da Costa Verde, com Angra dos Reis, e da Costa Azul, com Cabo Frio, a novidade econômica do petróleo no Norte Fluminense e o Sul Fluminense, com Visconde de Mauá, Penedo e outras localidades.

     Como melhorar o turismo? As estatísticas e pesquisas feitas com os que nos visitam informam aonde estão os pontos fortes e os fracos. Estes, para surpresa de alguns, não estão na insegurança do dia a dia dos moradores da cidade, mas sim na precariedade da sinalização, no assédio da mendicância e na limpeza insuficiente das ruas. São questões fáceis de resolver e que, praticamente, não exigem investimentos, apenas vontade e postura. Os investimentos ficariam a cargo da iniciativa privada, que poderia utilizar linhas de crédito especializadas - nem precisam ser subsidiadas - do BNDES, com condições de prazo e de percentuais de crédito adequados.

     Quando estive à frente da Secretaria Estadual de Indústria, Comércio e Turismo, por exemplo, entre 1997 e 1998, conseguimos, com quatro pequenas intervenções incrementar enormemente o turismo em algumas regiões. Refiro-me, especificamente, à reconstrução da rodovia de Teresópolis a Nova Friburgo, ao asfaltamento do acesso a Mauá até a entrada para Serrinha, à implantação da Via Lagos, rodovia privada, e ao asfaltamento da rodovia entre Barra do Piraí e Conservatória. Houve uma explosão do turismo nesses lugares e seus arredores e a instalação de  uma grande e charmosa rede hoteleira.

     O resultado prático dessas quatro intervenções foi a solução econômica das localidades envolvidas pelo emprego de pessoas, a atração de capitais e conseqüentemente a pujança do comércio. Por que não fazer a mesma coisa em todas as regiões?  É fácil, basta identificar e a iniciativa privada fará o seu papel. No Rio de Janeiro não há ferramenta mais adequada para a retomada do desenvolvimento do que o estímulo à atividade turística.

     Márcio Fortes é presidente da ADEMI-RJ e do Conselho Empresarial de Desenvolvimento Regional e Turismo da ACRJ.

 

Márcio Fortes



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