ADEMI na Imprensa

Presidente da ADEMI fala ao jornal O Globo

O Globo, Luciana Calaza, 20/mai

Ritmo de vendas também vem desacelerando na cidade

Depois da disparada de preços iniciada em 2008, um mercado menos aquecido está provocando estabilização e, no caso dos imóveis residenciais usados, queda nos valores de venda no Rio. Especialmente na Zona Sul, afirma Rubem Vasconcelos, presidente da imobiliária Patrimóvel:

- Na Zona Sul, os preços dos usados não estavam se sustentando, e a velocidade de vendas caiu. Os proprietários começam, portanto, a aceitar propostas e conceder descontos. Eu acredito que os valores dos imóveis vão sofrer um ajuste de 25% a 30% para baixo ao longo de 2012 - destaca Vasconcelos.

No segmento de lançamentos imobiliários, não há registro de queda de preços. Mas, devido à recuperação dos valores, muito defasados até 2008, já não há mais espaço para aumentos significativos:

- O preço de imóvel em lançamento deve fechar o ano com alta de 10% sobre 2011 - especula o presidente da Ademi-RJ, José Conde Caldas, acrescentando que o número de unidades lançadas no ano será menor.

Após 3 anos ladeira acima...

Fato é que, depois de três anos ladeira acima, a alta de preços dos imóveis, na média de novos e usados, está perdendo fôlego. No primeiro quadrimestre deste ano, o valor do metro quadrado no Rio subiu 5,5%. No mesmo período do ano passado, a alta foi de 12,6% e, ainda, de janeiro a abril de 2010, a variação foi de 9,4%.

Foi em outubro passado que o designer Márcio de Souza colocou à venda seu apartamento de dois quartos, num predinho antigo do Jardim Botânico. O preço? R$ 900 mil, conforme avaliação da imobiliária. Passados seis meses, não fez negócio. Mês passado, o proprietário chamou a mesma imobiliária para fazer nova avaliação. E o valor do imóvel, contrariando as expectativas, foi fixado em R$ 670 mil.

- Acho que o mercado tinha enlouquecido, e agora voltou à realidade - diz Souza, que já está para fechar negócio pelo novo valor.

No mesmo outubro de 2011, o analista de comunicação Nelson Cardoso Júnior foi contemplado com a carta de crédito de seu consórcio imobiliário. Imediatamente, começou a procurar um dois-quartos. Os preços altos fizeram ele voltar os olhos para a chamada "Barra Olímpica", onde a oferta é maior.

- Todos os apartamentos custavam acima de R$ 350 mil. A carta de crédito era de R$ 240 mil, e eu tinha R$ 80 mil próprios. Cheguei a cogitar comprar um quarto e sala.

Só em meados de abril, Cardoso Júnior conseguiu fechar negócio, pelo valor que planejava: adquiriu um dois-quartos na Barra Olímpica por R$ 320 mil.

- Houve uma estabilização, e quem tem pressa para vender acaba aceitando negociar ou já fixa um preço para venda rápida. O padrão do condomínio é até melhor que muitos que vi ano passado.

Perdas na Bolsa podem forçar queda de preços de imóveis em estoque

A perda de valor de mercado das construtoras na Bolsa de Valores pode forçar a queda nos preços dos imóveis em estoque, isto é, unidades novas, prontas, mas que ainda não foram vendidas. É que, como a velocidade de vendas no setor imobiliário vem caindo, as companhias podem reduzir os valores para compor o capital de giro, admitem fontes do mercado imobiliário.

- Pode haver queda de preços de imóveis em estoque para apresentar resultados mais $ápidos aos acionistas. Mas, no Rio, as companhias, em geral, não têm um estoque muito alto - afirma, com cuidado, o presidente da construtora Calçada, João Paulo Matos.

Descontos de até 20%, dispensa da entrada e registro grátis são algumas das estratégias para atrair o consumidor e reduzir os estoques acumulados nos últimos meses. As construtoras, inclusive, começaram 2012 controlando o ritmo de lançamentos. No total, no primeiro trimestre deste ano, houve uma queda de 37% no número de unidades novas ofertadas: 1.812 contra as 2.872 do mesmo trimestre de 2011, informa a Ademi-RJ.

Segundo José Conde Caldas, presidente da entidade, esse freio nos lançamentos não se deve à falta de demanda, mas a excesso de cautela:

- Por causa da falta de mão de obra qualificada, o setor tem tido problemas com os prazos de entrega. Não faltam compradores, os agentes financeiros estão cheios de dinheiro para emprestar, mas as construtoras estão cautelosas.

A queda na velocidade das vendas acontece especialmente em bairros com grande oferta de imóveis, como Barra, Recreio e Jacarepaguá.

- Onde antes não tinha prédio algum, agora há três sendo lançados ao mesmo tempo. Então, é natural que as vendas sejam mais lentas. Mas, aos poucos, as unidades vão saindo - garante Mario Amorim, diretor da Brasil Brokers RJ.

'Limite de financiamento cria teto para o mercado'

Rafael Motta, sócio da agência de marketing imobiliário Percepttiva, prevê que essas áreas tenham valorização bem menor este ano. O metro quadrado na Freguesia, por exemplo, saía a R$ 4,5 mil no início de 2011 e fechou dezembro valendo R$ 5,6 mil - em 2012, ele acredita, o preço deverá chegar, no máximo, a R$ 6 mil. Já no Recreio, o metro quadrado passou de R$ 4,5 mil a R$ 6 mil ao longo de 2011. Até dezembro, continua, estará no máximo em R$ 6,5 mil.

- Uma questão importante é que o limite de valor de imóvel para financiamento à classe média é de R$ 500 mil. Isso cria um teto para o mercado. Não dá para vender tantos imóveis com valores acima desse teto - ressalta Motta.

Mesmo na Tijuca, onde desde a pacificação das favelas há uma corrida pelas novas unidades, o ritmo de vendas é mais lento. A administradora de empresas Márcia Monteiro, moradora do bairro, percebeu que já não há um frenesi: em 2010, ela decidiu conhecer um apartamento que seria lançado, com ampla infraestrutura de lazer. Mas a construtora nem chegou a montar estande de vendas: tudo foi negociado antes. Agora, a mesma empresa lançou um novo condomínio perto do anterior. Desta vez, porém, Márcia recebeu telefonemas de corretores, com convite para conhecer o projeto.

- Construíram estande de vendas, fizeram evento de lançamento. Percebi que há um esforço de vendas que não foi necessário dois anos atrás.



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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]