Projeto Porto Maravilha

Um novo museu, um novo centro, um novo porto no Rio

O Globo, 01/mar

Poder público e iniciativa privada somam esforços e fazem ampla transformação urbana na região central

Pelo mar, teve início a história do Rio com a chegada dos primeiros desbravadores portugueses e, por mar, a cidade continua a se transformar. Degradada com o passar dos anos, a Zona Portuária, uma das mais antigas, está no centro de um projeto de revitalização que promete modificá-la. Além da reforma do porto, que ganhará novos píeres e lojas, e da demolição do Elevado da Perimetral, novas atrações devem dar não só novos ares mas também novo uso para a área, que deverá atrair um fluxo voltado para o lazer e o turismo. A primeira inauguração acontece justamente hoje, aniversário da cidade: o Museu de Arte do Rio (MAR). Instalado na Praça Mauá em dois prédios interligados com estilos totalmente diferentes - o Palacete Dom João VI, construção eclética e tombada, e um antigo terminal rodoviário, reformado e com linhas modernas.

O prédio anexo vai abrigar a Escola do Olhar, voltada para a formação de educadores da rede pública de ensino. Além de ações voltadas para o apoio à educação, o museu, criado a partir de uma parceria entre a prefeitura da cidade e a Fundação Roberto Marinho, já começou a formar o seu acervo, com aquisições e doações de peças. Lá, poderão ser apreciadas, por exemplo, uma escultura do Aleijadinho, do século XVIII, ao lado de outra de Hélio Oiticica, símbolo do concretismo do século XX.

Outra estrela da revitalização do Porto será o Museu do Amanhã, fruto da mesma parceria, que será erguido no Píer Mauá, numa área de 30 mil metros quadrados com jardins, espelhos d'água, ciclovia e área de lazer. O projeto arquitetônico é do renomado arquiteto espanhol Santiago Calatrava, conhecido por seus projetos arrojados e assimétricos, como a Cidade das Artes e das Ciências, em Valência, e a Torre de Montjuic, em Barcelona, ambas na Espanha. O Museu do Amanhã será um espaço dedicado às ciências, com um ambiente de experiências que permitirão ao visitante vislumbrar o seu futuro e o do planeta nos próximos 50 anos.

O ressurgimento de uma região

E não é só. As obras viárias e de infraestrutura da região preveem a construção de quatro quilômetros de túneis, a reurbanização de 70 quilômetros de vias, 650.000 metros quadrados de calçadas, a reconstrução de 700 quilômetros de redes de infraestrutura urbana (água, esgoto e drenagem), a implantação de 17 quilômetros de ciclovias, o plantio de 15 mil árvores, a construção de três novas estações de tratamento de esgoto e, por último, a demolição de quatro quilômetros do Elevado da Perimetral.

À frente da empreitada estão técnicos da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp) da prefeitura do Rio, criada para esta missão. O diretor-presidente da companhia, Alberto Gomes Silva, diz que o desafio é, antes de tudo, de resgate histórico.

- Esta região que ressurge é um exercício muito vivo, muito forte de como o futuro se constrói, se alimenta e se valoriza com o resgate do passado. É uma grande transformação de uma região que traz a memória à luz como elemento de valorização. É o resgate de um patrimônio material e imaterial. Nós temos, por exemplo, o MAR, que é um museu de arte num palacete abandonado há quase uma década, ao lado de um prédio modernista, que também teve um papel importante na urbanização da cidade. São elementos que, agora, se transformam num equipamento cultural e vão entrar para o calendário da cidade.

A previsão é que as obras de revitalização do Porto durem até o primeiro trimestre de 2016. A demolição do Elevado da Perimetral é uma das principais intervenções. Além disso, a Avenida Rodrigues Alves será transformada em via expressa, e uma nova rota, chamada de Binário do Porto, será criada. Ao mesmo tempo, novos empreendimentos imobiliários estão sendo planejados para a Zona Portuária. Um dos lançamentos mais arrojados deverá ocupar o terreno do antigo Gasômetro, cuja venda já foi autorizada pelo Governo Federal para a prefeitura do Rio por R$ 226 milhões. O local tem potencial para abrigar prédios de até 50 andares.



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