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IAB quer debate sobre alternativa de píer, agora em E

O Globo, Ruben Berta, 15/mar

Prefeito não quis se manifestar sobre o novo projeto

O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) pretende chamar os responsáveis pelo conceito de um novo píer, em E, para a Zona Portuária para apresentar a proposta na sede da entidade no Rio. O projeto foi elaborado pelo escritório de arquitetura espanhol Alonso-Riera-Balaguer e pelo brasileiro Blac, em parceria com a agência pública de planejamento estratégico Barcelona Regional (BR). Luiz Fernando Janot, conselheiro da entidade, disse que viu com bons olhos o surgimento de outra alternativa para retomar a discussão em torno do melhor modelo para o novo terminal.

- É importante continuarmos a discussão. Um bom sinal desse novo projeto é que o píer seria deslocado da altura dos armazéns 2 e 3 para começar na metade do 3 e terminar na metade do 6. A segunda boa conquista é a questão do estacionamento dos ônibus para levar os turistas, o que aparentemente estaria resolvido com essa nova proposta. Mas ainda me parece algo preliminar que ainda teria questões a serem resolvidas. Por isso, seria importante uma apresentação pública na sede do IAB - comentou Janot.

O arquiteto espanhol Ignasi Riera, um dos responsáveis pelo projeto, afirmou estar aberto a levar o projeto para um debate no IAB com outros profissionais. Ele disse ser fundamental continuar o diálogo em torno da intervenção numa área estratégica para o Rio nos próximos anos:

- Temos uma boa relação com o IAB, que conhece o trabalho que foi desenvolvido em Barcelona. Lançamos uma proposta conceitual, que pretende tirar proveito do tráfego de cruzeiros e fazer uma interligação com o seu entorno, com a área de museus, com um novo passeio público.

Necessidade urbana

Riera reforçou que o deslocamento do píer é importante para não afetar outras atrações na região:

- Existe uma justificativa de que o deslocamento do píer para onde estamos propondo necessitaria de novos trabalhos de dragagem. Esse problema pode até existir e gerar custos. Mas a necessidade técnica não pode superar a urbana.

O prefeito Eduardo Paes não quis se manifestar sobre o novo projeto em E. A Companhia Docas se limitou a informar que desconhece a iniciativa.

Uma das grandes inovações do píer em E seria um espaço de 120 metros de largura e 500 metros de comprimento, entre o passeio público e o terminal onde irão atracar os navios, que poderá ser utilizado como uma marina.

O presidente da Seção Rio da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (Asbea-RJ), Vicente Giffoni, elogiou a retomada das discussões em torno do projeto:

- É extremamente interessante que haja uma nova proposta, feita por um escritório espanhol que já fez vários projetos ligados à revitalização de Barcelona. A localização do píer ficaria numa região bem menos agressiva para a vista dos bens atuais e dos bens em construção. Numa análise preliminar, a questão do acesso para os turistas, também melhoraria. E também não ficaríamos tão sujeitos a um paredão de transatlânticos na paisagem, como é a versão em Y.

A deputada Aspásia Camargo (PV) comemorou a nova possibilidade. Ela havia conseguido uma liminar na Justiça no ano passado, que interrompeu o projeto do píer em Y, mas a decisão foi revertida este ano. Aspásia já entrou com um novo recurso:

- O projeto em Y é gravemente lesivo. Temos que pensar numa reestruturação de uso do Porto, não simplesmente na questão de infraestrutura.


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