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MP 656/2014 que agiliza o registro de imóvel teve seu prazo de vigência prorrogado por mais 60 dias

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(Diário Oficial da União - 03/12/2014)

O Poder Executivo publicou no Diário Oficial da União de 8/10/2014 a Medida Provisória nº 656/2014, que teve seu prazo de vigência prorrogado por mais 60 dias, através do ato do presidente da mesa do congresso nacional nº 46, publicado no dia 03/12/2014.A Medida Provisória instituiu a concentração dos atos na matrícula do imóvel, entre outras disposições, objetivando maior segurança aos negócios imobiliários. Os compradores de imóvel terão uma proteção a mais, que torna mais ágil a compra da casa própria e a concessão de financiamento imobiliário. Agora a matrícula do bem em cartório reunirá todas as informações sobre questionamentos na Justiça que envolvam o imóvel, tornando o processo de compra mais seguro. A ideia é inverter responsabilidades entre comprador e credor. Antes, o comprador precisava tirar uma série de certidões negativas, às vezes até em outras cidades e Estados, para garantir que o imóvel adquirido estava livre de pendências, como uma dívida trabalhista. O governo apelidou a novidade de "Renavam dos imóveis", por ser um registro único como o dos veículos. Desde 07/11/2014, cabe à pessoa ou empresa que tem no imóvel a garantia de uma dívida a iniciativa de adicionar aquele débito, por via judicial, à matrícula do bem em cartório. Isso quer dizer que, se nada constar no documento, o imóvel estará teoricamente livre para ser comprado com segurança. Além de dar mais clareza e segurança às transações imobiliárias, a MP acelera o processo de compra e venda e a liberação de crédito imobiliário ao aliviar a pesquisa de certidões.

Em seu artigo 10, a MP dispõe que todos os negócios jurídicos que tenham por fim constituir, transferir ou modificar direitos reais sobre imóveis terão sua eficácia garantida porque os atos jurídicos precedentes que não estiverem averbados na matrícula no Registro de Imóveis não poderão ser opostos ao terceiro de boa-fé que adquirir ou receber em garantia direitos reais sobre o imóvel, inclusive para fins de evicção.

 A MP determina que devem ser registradas ou averbadas na matrícula: I - registro de citação de ações reais ou pessoais reipersecutórias; II - averbação, por solicitação do interessado, de constrição judicial, do ajuizamento de ação de execução ou de fase de cumprimento de sentença, procedendo-se nos termos previstos do art. 615-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; III - averbação de restrição administrativa ou convencional ao gozo de direitos registrados, de indisponibilidade ou de outros ônus quando previstos em lei; IV - averbação, mediante decisão judicial, da existência de outro tipo de ação cujos resultados ou responsabilidade patrimonial possam reduzir seu proprietário à insolvência, nos termos do inciso II do art. 593 do Código de Processo Civil.

 O art. 11, por sua vez, dispõe que "alienação ou oneração de unidades autônomas integrantes de incorporação imobiliária, parcelamento do solo ou condomínio de lotes de terreno urbano, devidamente registrada, não poderá ser objeto de evicção ou de decretação de ineficácia, mas eventuais credores do alienante ficam sub-rogados no preço ou no eventual crédito imobiliário, sem prejuízo das perdas e danos imputáveis ao incorporador ou empreendedor, decorrentes de seu dolo ou culpa, bem como da aplicação das disposições constantes da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990".

 A medida também dispensou o tabelião de transcrever o documento comprobatório de pagamento do ITBI, certidões fiscais e certidões de propriedade e ônus reais, bastando consignar na escritura que os documentos foram apresentados.

Essas disposições da MP entraram em vigor no dia 7 de novembro de 2014 para ações futuras. Dada a mudança estrutural proposta e a necessidade de análise das ações em curso, concede um prazo de dois anos para que os atos pretéritos sejam registrados na matrícula do imóvel, sob pena desses atos não mais constituírem elementos que possam tornar ineficaz a operação de compra e venda.

Acesse abaixo a íntegra da MP 656/2014 e a íntegra do Ato do Congresso Nacional que prorrogou a MP 656/2014 

MP 656/2014 - 119.2 KB
MP 656/2014
(PDF, 119.2 KB)
Ato do Congresso Nacional que prorrogou a MP 656/2014 - 6 KB
Ato do Congresso Nacional que prorrogou a MP 656/2014
(PDF, 6 KB)



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