ADEMI na Imprensa

Jogos darão novo fôlego a imóveis

O Globo, Desafios do Rio, 11/dez

Os radares do setor imobiliário e da construção civil estão voltados para os Jogos Olímpicos, daqui a um ano e meio. A expectativa é que o evento possa dar novo fôlego a um mercado que vinha a pleno vapor, mas tirou um pouco o pé do acelerador. Se os Jogos, assim como a Copa, já trouxeram ganhos em termos de obras e imagem, ainda é preciso consolidar os avanços em infraestrutura e segurança e ter uma rede mais eficiente de serviços. Para o presidente da Associação dos Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi), João Paulo Rio Tinto de Matos, desde que a segurança melhorou, a cidade subiu um degrau e hoje tem nota sete. A mudança definitiva de patamar dependerá dos Jogos Olímpicos.

- Se conseguirmos um sucesso em termos de segurança e mobilidade, a cidade vai se tornar desejada, com lançamentos de hotéis na Barra, no Centro, na região do Porto Maravilha e na Zona Sul - prevê Matos.

De olho nas oportunidades, a RJZ Cyrela é uma das que apostam nos Jogos para crescer, apesar de uma "parada técnica" em 2014. Entre os projetos em vista, a empresa analisa um mix de hotel, shopping e residencial na área do Gasômetro e a ampliação de um modelo de empreendimento na Zona Norte, baseado no conceito de condomínios da Barra da Tijuca, localizados perto de shopping centers.

- Os preços subiam numa curva ascendente, que se estabilizou na Zona Sul do Rio, mas continuam subindo nas zonas Norte e Oeste - afirma o vice-presidente da RJZ Cyrela, Rogério Zylbersztajn.

Nos últimos sete anos, os lançamentos na cidade do Rio cresceram 51%, e o preço do metro quadrado teve uma valorização de 157% no mesmo período.

- O mercado vinha se valorizando desde 2010 a taxas de 30%, 20%. Entre 2013 e 2014 continuou crescendo, mas num ritmo menor: ficou em 18%. E, neste ano, vamos ficar no zero a zero. A tendência é acomodação de preços - afirma Leonardo Schneider, vice-presidente do Sindicato de Habitação do Rio (Secovi-Rio).

No primeiro semestre, os lançamentos foram apenas 3% maiores que no mesmo período do ano passado, segundo a Ademi. Os imóveis residenciais novos tiveram queda de 1% no período, enquanto os lançamentos de comerciais ainda sobem 43%.

PROXIMIDADE DO CENTRO ATRAI COMPRADORES

Os imóveis ficaram mais valorizados nos bairros da Grande Tijuca e de Jacarepaguá, próximos a grandes obras de infraestrutura e a áreas pacificadas, de acordo com levantamento do Secovi- Rio. Bairros próximos ao Centro, como o Catete e a Glória, também tiveram alta do valor do metro quadrado, na esteira das dificuldades de mobilidade urbana. Segundo Schneider, bairros como São Cristóvão, Bonsucesso, Penha e Del Castilho têm tudo para se valorizar, com a melhoria da infraestrutura no entorno e o maior acesso ao comércio e aos serviços.

- Até os Jogos Olímpicos, os preços não vão cair. Depois disso, vai depender de como o mercado e o país vão ficar - afirma Schneider.

O Ilha Pura, empreendimento da Carvalho Hosken e da Odebrecht na Barra da Tijuca, é um exemplo de projetos que se beneficiam do fôlego olímpico, mas também dependerão do cenário de melhora da economia. Construído próximo à TransOlímpica, inclui sete condomínios, com 3.600 apartamentos. Antes de passar às mãos dos futuros donos, vai abrigar os atletas olímpicos. Por ora, o Ilha Pura vai ocupar um terço do terreno. O restante sairá ou não a depender da expectativa da melhora do mercado.

- Isso vai depender da demanda, e podem surgir inclusive empreendimentos comerciais. O Rio cresce na direção da Barra da Tijuca e tem uma infraestrutura que está melhorando - afirma o diretor-geral do Ilha Pura, Maurício Cruz Lopes.

O presidente da Patrimóvel, Rubem Vasconcelos, também considera que a conjuntura tem o seu quinhão, com um encolhimento do mercado como um todo de cerca de 40% neste ano:

- O mercado mudou de comportamento. Ele vinha há cinco anos como vendedor e agora é comprador. Antes era o incorporador que ditava. Temporariamente o comprador sumiu, a conjuntura econômica mudou.

MERCADO DEVE VOLTAR A CRESCER NO FIM DE 2015

Vasconcelos afirma que esse ajuste será positivo no sentido de forçar construtoras e incorporadoras a oferecer imóveis com mais qualidade e melhor localização. Caso da Even Construtora e Incorporadora, que tem neste ano seis lançamentos programados nas zonas Norte e Oeste. Para conquistar clientes, a empresa está entregando imóveis residenciais já com persianas.

Vasconcelos acredita que o mercado vai voltar a experimentar crescimento no fim de 2015 tanto na Barra da Tijuca como na área próxima ao Porto Maravilha e na Zona Norte:

- A área do Porto é um novo bairro do Rio. Ele vai contar com uma infraestrutura totalmente nova, levando primeiro a parte comercial e depois a residencial. A ideia será atrair principalmente quem quer morar perto do trabalho.

O mercado imobiliário também está aquecido com a constr ução de hotéis para os eventos. Desde 2012, já foram construídos ou estão em andamento 2.612 hotéis só na capital. A incorporadora Incortel, que representa no Brasil a rede Best Western, tem seis unidades em construção, cinco delas com previsão de lançamento até as Olimpíadas em todo o estado. Entre eles, um lançamento em Itaguaí, para atender empresas que prestam serviços na área do Arco Metropolitano, um na Baixada Fluminense e três hotéis na Zona Sul da capital, inclusive a construção de uma unidade fashion no Arpoador.

- O Rio fez o dever de casa, a insegurança foi resolvida e há retorno de empresas de petróleo e gás. O estado se tornou um polo de atração de negócios - acredita a diretora da Incortel Cecília Zon Rogerio.


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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]