ADEMI na Imprensa

Mudanças animam setor imobiliário

O Globo, Ana Carolina Diniz, 12/fev

As mudanças implementadas pelo governo federal no programa habitacional "Minha casa, minha vida" animaram o setor imobiliário. Profissionais da área sinalizam que os ajustes na renda familiar e no valor dos imóveis tendem a aumentar a confiança do consumidor e, consequentemente, movimentar a construção civil.

- O aumento na renda familiar de R$ 6.500 para R$ 9 mil é a grande sacada. Antes, essa faixa de renda não tinha acesso ao programa e acabava não conseguindo comprar financiando por conta dos juros elevados, em torno de 11% a 12% ao ano mais TR (Taxa Referencial), pelo SBPE (Sistema Brasileira de Poupança e Empréstimo) - analisa Mariliza Fontes Pereira, diretora do escritório de arquitetura Mdoito, focada em projetos de empreendimentos do "Minha casa, minha vida".

Claudio Hermolin, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (ADEMI), prevê o aumento do número de lançamento já este ano e a redução das unidades em estoque.

- As novas regras permitirão que mais unidades habitacionais passem a integrar o programa, o que beneficiará o setor e também a população. São medidas que vêm animar o mercado, que ainda precisa de outros estímulos, como facilidade de crédito e segurança jurídica - disse ele.

O diretor-geral da Brasil Brokers no Rio, Mario Amorim, afirma que as medidas sinalizam que o governo parece entender a importância do setor de construção civil para a economia brasileira.

- Mais negócios deverão acontecer, o que acarretará a necessidade de se contratar mais mão de obra para erguer novos projetos imobiliários - crê ele.

Construtoras focadas no mercado do "Minha casa, minha vida" também receberam a notícia com otimismo. Cury, Tenda e MRV acreditam que as regras ampliarão o acesso ao programa e aumentarão o número de pessoas que podem se beneficiar.

Já na opinião do professor do MBA Gestão de Negócios Imobiliários e da Construção Civil da FGV, Paulo Porto, o incentivo ao crédito não será responsável pela retomada do setor.
- O momento não é de confiança por conta da crise econômica. Além disso, as taxas de juros ainda são altas. Mesmo com incentivo ao crédito, o futuro comprador tem medo de não conseguir arcar com as prestações de longo prazo - defende ele.

Porto também sinaliza que a classe C, foco do programa federal, também está sendo atingida pelo desemprego e a compra da casa própria acaba não fazendo parte das prioridades:

- Pesquisas com a classe C mostram que 70% dos clientes trocam uma coabitação para adquirir um imóvel. E 30% saem do aluguel para prestação da casa própria. Com medo do futuro, estas pessoas podem aguardar um pouco mais.
O que muda

FAIXA 1,5:

O limite de renda familiar, que era de R$ 2.350, vai a R$ 2.600. O subsídio passará de R$ 45 mil para R$ 47.500. A taxa de juros anual é de 5% com prazo de até 30 anos para quitar o imóvel.

FAIXA 2:

O limite de renda familiar sobe de R$ 3.600 para R$ 4 mil. O subsídio será de R$ 27.500. A taxa vai continuar variando conforme a renda. Para rendimento de até R$ 2.600, os juros são de 5,5% ao ano. De R$2.600 a R$ 3 mil, de 6%. De R$ 3 mil a R$ 4 mil, de 7%.

FAIXA 3:

A renda familiar exigida passa de R$ 6.500 para R$ 7 mil. Não tem subsídio. Os imóveis nessa faixa poderão ter limite de R$ 240 mil. Juros anuais de 8,16%.

FAIXA 3 (EXPANSÃO):

Para quem tem renda bruta familiar de R$ 7 mil a R$ 9 mil. Não há subsídio. Os imóveis financiados nas cidades de Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília poderão ter valor máximo de R$ 300 mil. Os juros serão de 9,16% ao ano.


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