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Com lucro menor, Caixa procura ganhar eficiência

O Estado de S. Paulo, Editorial Econômico, 20/abr

Atribuindo o resultado à crise econômica, a Caixa Econômica Federal (CEF) anunciou um lucro de R$ 4,1 bilhões em 2016, valor 43% inferior ao do exercício anterior (R$ 7,2 bilhões). O que se verifica, contudo, é que o saldo das operações de crédito cresceu 4,4%, alcançando R$ 709,3 bilhões, com uma taxa de inadimplência de 2,8%, a menor do mercado de crédito. O que mais pesou no balanço foi uma elevação de 5,6% nas despesas administrativas, destacando-se o aumento de 6,3% nos gastos com pessoal. Em face disso, o foco da administração da CEF em 2017 é melhorar a eficiência, reduzindo as despesas, como disse o presidente da instituição, Gilberto Occhi.

Nos últimos anos, a CEF teve uma grande expansão no número de agências e postos de atendimento, que de 2,3 mil unidades em 2010 passou para 4,2 mil em todo o País. Agora, ajustando-se a uma nova realidade, prevê-se que de 100 a 150 dessas unidades, consideradas deficitárias, poderão ser fechadas. Ao mesmo tempo, a CEF prepara-se para pôr em prática seu Programa de Demissão Voluntária (PDV), que poderá ter a adesão de 50 mil funcionários, a um custo estimado de R$ 975 milhões. 

Todavia, isso não significa que as operações de crédito da Caixa Econômica Federal no setor imobiliário, que representam 67% de todo o mercado, serão seriamente afetadas. No ano passado foram usados R$ 81,8 bilhões para financiamento à habitação, e para este ano foi orçado preliminarmente um valor de R$ 80 bilhões, que poderá ser aumentado a depender de decisão do conselho curador do FGTS. 

Outra fonte de recursos para o financiamento imobiliário são as cadernetas de poupança. Occhi disse esperar que, com a redução da inflação e da taxa básica de juros, tornando as contas de poupança mais atraentes, haja uma retomada da captação líquida nessa modalidade. À medida que a Selic se reduza, isso poderá também levar a Caixa a "reestruturar uma nova taxa de juros", em benefício do tomador. 

Fala-se, também, em parceria com o setor privado para financiamento e comercialização de imóveis, leilões para venda de 24 mil unidades retomadas e outras iniciativas. O importante é que, de acordo com a política fiscal em vigor, não se prevê aporte de recursos à CEF pelo seu controlador, que é o governo federal.

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]