ADEMI na Imprensa

Ocasião certa para comprar

O Globo-Jacarepaguá, Thalita Pessoa, 29/abr

Em meio à crise, uma oportunidade se apresenta a quem dispõe de alguma economia e está interessado em comprar uma casa própria, sem que isso represente grandes sacrifícios à renda familiar. Num cenário de tantas incertezas, há uma verdade irrevogável: o mercado imobiliário atingiu o seu menor patamar na cotação do metro quadrado nos últimos anos - hoje o preço equivale ao registrado em 2014 - e agora oferece facilidades que, na época das vacas gordas, incorporadoras e construtoras sequer cogitavam, como permuta de imóveis, parcelamento do valor de entrada e prazo mais longo de pagamento.

Em Jacarepaguá, uma das regiões com o maior número de lançamentos recentes de imóveis, o mercado contabiliza muitas unidades disponíveis, fenômeno impulsionado pelos distratos, isso é, contratos de intenção de compra que acabaram desfeitos por via amigável ou com embate na Justiça devido à queda do poder de compra dos envolvidos. Em outras palavras, pessoas que tiveram de devolver os imóveis que ainda estavam pagando às empresas porque não tinham mais como honrar o compromisso firmado, seja por desemprego, achatamento dos salários ou outros fatores. 

Segundo a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ), o mercado estima que hoje cerca de 30% a 35% dos imóveis comprados voltam ao vendedor. Com isso, o número de propriedades disponíveis em toda Jacarepaguá é de 3.561 imóveis - há quatro anos era de 2.715, uma diferença superior a 31%.

- A região surfou na onda do boom imobiliário com os grandes eventos. Jacarepaguá ofereceu grande vantagem às construtoras porque é um local com espaço, com oferta de amplos terrenos e próxima à Barra. Era a oportunidade perfeita de compra para quem não tinha dinheiro para morar na Barra, mas queria condomínios com toda a infraestrutura oferecida por lá - avalia o vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi-Rio), Leonardo Schneider.

Com isso, lembra Schneider, até 2013, todo lançamento na região virava sinônimo de sucesso de vendas, esgotando-se rapidamente. Mas a partir do ano seguinte, com o agravamento das crises política e econômica, a parcela dos financiamentos passou a não caber mais no bolso de muita gente. Em alguns casos, os imóveis vendidos na planta se desvalorizaram antes mesmo de ficarem prontos e acabaram voltando, em forma de dor de cabeça, e das grandes, às imobiliárias, às construtoras e às incorporadoras.

- Todo estoque é um grande problema, porque estoque pronto gera custo com o condomínio, certidões e tantos outros gastos. Por isso, a estratégia agora de quem quer vender é ser agressivo no preço e na forma de pagamento - complementa o presidente da Ademi-RJ, Claudio Hermolin.

Hoje, o metro quadrado na Taquara é mais barato do que em 2014: são R$ 4.618 contra os antigos R$ 4.756. A mesma tendência é observada no Tanque, onde custava R$ 4.573 frente aos atuais R$ 4.499. Bairros como Freguesia (R$ 6.047 contra R$ 6.014), Pechincha (R$ 5.098 contra R$ 5.046) e Curicica (R$ 5.257 contra R$ 5.240) não sofreram muita variação desde a época da Copa.

Profissionais do setor dizem que, em média, os descontos na compra de imóveis chegam a 15%, mas que eles podem ser ainda maiores se o comprador fizer a transação à vista ou abater uma parte grande do valor. Como a oferta de imóveis é alta e a demanda vai no sentido inverso, o comprador com dinheiro na mão tem poder de barganha; mesmo os preços já estando abaixo da tabela, dizem os especialistas. Exemplo disso é o empreendimento Vernissage, na Rua Retiro dos Artistas 855, um dos endereços mais nobres do Pechincha,em que o apartamento de quatro quartos e 109 metros quadrados, que antes sairia por R$ 621 mil, pode ser comprado por R$ 570 mil - e ainda pode baixar, afirmam os profissionais. Além do preço mais em conta no condomínio-clube que tem um bosque de seis mil metros quadrados, as formas de pagamento são flexíveis.

Freio nos lançamentos da região

Mario Amorim, diretor-geral da Brasil Brokers no Rio de Janeiro, chama a atenção ainda para uma particularidade da região de Jacarepaguá. Após liquidar o estoque disponível, dificilmente o mercado deverá voltar a oferecer imóveis do mesmo padrão pelos preços praticados hoje. Isso porque o número de lançamentos reduziu drasticamente, e, na Freguesia, considerado o subbairro mais nobre de Jacarepaguá, o gabarito autorizado pela prefeitura mudou. Como a lei da oferta e da procura não falha, avalia ele, o preço, inclusive de unidades menos requintadas, deve subir.

- As novas regras reduziram em 50% o aproveitamento dos terrenos na Freguesia, o que inviabiliza as novas construções por lá, sobretudo os empreendimentos comerciais - afirma Amorim.

De 2009 a 2017, foram lançadas 27 mil unidades na região. Um ritmo de investimento que fez Jacarepaguá liderar o número de lançamentos na cidade em 2015, representando 20,6% da fatia de mercado com 1.421 unidades residenciais. Já no ano passado, a região recebeu apenas 7,2 % dos lançamentos do Rio, inaugurando 456 unidades.

Roberto Vilhena, presidente da imobiliária Vilhena, com origem em Jacarepaguá, ainda chama a atenção para outro fator que contribuiu para a atual baixa dos preços:

- Como tudo o que se vendia aqui era comprado rápido, com empreendimento novo colocando tarja de "100% vendido" com um mês de vendas, criou-se uma bolha, com preços fora da realidade. Houve uma supervalorização. Agora os preços estão mais realistas.

Vilhena conta ainda que a atual realidade fez com que sua equipe de corretores enviasse para todos os proprietários e-mails alertando para necessidade de se praticar preços mais baixos e de se flexibilizar as formas de pagamento. Apesar de encontrar alguns donos de imóveis resistentes a perspectiva de receberem menos do que gostariam, Vilhena conta que boa parte entendeu que preço em desconformidade com o poder de compra dos interessados no negócio significaria imóvel parado, gerando custos.

Gustavo Araújo, gerente de vendas da Apsa, ressalta ainda que a necessidade fez o mercado trazer novamente para a mesa de negociação práticas deixadas em segundo plano.

- Hoje as condições de pagamento estão mais flexíveis, se você tem um imóvel de menor valor, pode incluir no negócio e só pagar a diferença. Essa modalidade de permuta já estava quase extinta e agora voltou. Incluir carro no pagamento também não é incomum, assim como parcelar a entrada - lista ele.

Andrea Castex, diretora operacional da área de avulsos da Julio Bogoricin, é taxativa:

- É um momento excelente para o comprador, que agora tem poder de escolha, de barganha. Jacarepaguá oferece imóveis com uma qualidade superior, a exemplo de outras regiões nobres do Rio, com preço mais em conta.


Envie para um amigo
Imprima este texto
 
 
 
 

webTexto é um sistema online da Calepino

Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]