Hoje na Imprensa

Crise política faz dólar disparar mais de 5%, a R$ 3,315

O Globo online, Ana Paula Ribeiro, 18/mai

A incerteza gerada por mais um capítulo da crise política brasileira faz o dólar disparar nesta quinta-feira. A moeda americana opera em alta de 5,77%, cotada a R$ 3,315, nos primeiros minutos de negócio. A valorização da divisa é um movimento de proteção dos investidores após a divulgação da notícia de que o presidente Michel Temer deu aval para o dono da JBS comprar o silêncio de Eduardo Cunha, divulgada na noite de ontem pelo colunista Lauro Jardim, do GLOBO. No mercado futuro, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações local, cai mais de 10%.

Os juros futuros começaram a sessão estressados também. O contrato com vencimento em janeiro de 2019 abriu no limite máximo do dia, de 10,01%. O com vencimento em janeiro de 2025 teve comportamento semelhante, em 11,46%.

O risco-país medido pelo CDS (Credit Default Swap, espécie de seguro contra calote) disparou 60 pontos na abertura, para 267 pontos.

Devido à expectativa de um pregão de forte volatilidade, o Banco Central divulgou nota nesta manhã informando que acompanhará o impacto dessa notícia. "O Banco Central está monitorando o impacto das informações recentemente divulgadas pela imprensa e atuará para manter a plena funcionalidade dos mercados. Esse monitoramento e atuação têm foco no bom funcionamento dos mercados. Não há relação direta e mecânica com a política monetária, que continuará focada nos seus objetivos tradicionais."

A avaliação de analistas é que o presidente ficou em uma situação delicada para manter a governabilidade necessária para aprovar as reformas econômicas que estavam na agenda, com a previdenciária e trabalhista, e eram consideradas essenciais por agentes econômicas para ajudar no processo de recuperação da economia brasileira. Além disso, a delação dos executivos da JBS atinge também outras políticos, o que enfraque o andamento dessas votações no Congresso Nacional.

Na avaliação de analistas, a situação pode se agravar se as gravações feitas por Joesley Batista, um dos donos do frigoríficos, forem divulgadas. "Se a gravação vier a público com a voz de Temer a "nova crise política" poderá atingir proporções inimagináveis. O presidente do PSBD, Aécio Neves, também foi acusado pelo dono da JBS de lhe pedir cerca de R$ 2 milhões em dinheiro para se defender da Operação Lava Jato. Diante desses fatos, a tendência do dólar é de uma abertura em forte alta, porém, se subir demais, o Banco Central poderá intervir no mercado cambial, aumentando o número de contratos de swaps diários", avaliou.


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