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Unesco pode desenvolver plano de gestão para o Cais do Valongo

O Globo, Luiz Ernesto Magalhães e Simone Cândida, 10/out

Depois de declarar em julho o Cais do Valongo Patrimônio Mundial, a Unesco poderá prestar consultoria à prefeitura do Rio para desenvolver um plano de gestão para a área. A ideia é que a importância histórica do sítio seja ressaltada. A parceria, que deve durar quatro anos e custar ao município R$ 7,3 milhões, prevê, por exemplo, que o espaço - redescoberto durante as obras do Porto Maravilha - opere de forma integrada ao futuro Museu da Escravidão e Liberdade (nome provisório), que a prefeitura pretende instalar no Armazém Docas D. Pedro, perto das ruínas.

- A Unesco tem experiência em parcerias internacionais para desenvolver projetos de gestão e manutenção de patrimônios históricos. No Brasil, antes desse acordo de parceria com o Cais do Valongo, a entidade colaborou com o Iphan para a implantação do Museu de Congonhas (MG) - disse a secretária municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira.

O Museu de Congonhas foi inaugurado em 2015, ao lado do Santuário de Bom Jesus do Matosinhos, onde estão expostas doze esculturas de Aleijadinho, esculpidas em pedra sabão, em tamanho natural, representando os discípulos de Cristo. O museu mineiro mantém exposições de peças da época do Brasil Colonial, e funcionários da instituição também trabalham na manutenção do sítio histórico.

Segundo Nilcemar, a ideia é desenvolver projeto semelhante no Rio. Parte das peças arqueológicas recolhidas durante as obras do Porto Maravilha integrará exposições no futuro Museu da Escravidão. A secretária lembrou que esse foi um dos compromissos que a prefeitura assumiu quando fez a candidatura do Cais do Valongo a Patrimônio Mundial. O nome do museu ainda não é definitivo porque a Secretaria de Cultura pretende escolhê-lo através de um concurso entre frequentadores da área.

- No caso do Rio, como consultora, a Unesco deverá ajudar a elaborar editais para escolher projetos culturais que contribuam para a conservação do Cais do Valongo. Desde março, temos discutido com representantes da sociedade civil e órgãos públicos um plano para a implantação do museu - acrescentou a secretária.

O museu ainda não tem data para abrir. Segundo a secretária, detalhes do funcionamento do espaço serão decididos após estudos de viabilidade, previstos para acontecerem no segundo trimestre de 2018. Eles vão definir, por exemplo, horários de funcionamento, estimativa de público e se haverá cobrança de ingressos. Hoje, o Armazém Docas é integralmente ocupado pela ONG Ação da Cidadania, criada por Betinho. Com a instalação do museu, apenas uma parte do imóvel deverá ficar com a ONG.

Estima-se que pelo Cais do Valongo tenham desembarcado no Rio milhares de negros escravizados. O sítio é composto por vestígios do calçamento de pedras, construído a partir de 1811, e pelo porto erguido para receber a princesa Tereza Cristina de Bourbon, esposa do Imperador Dom Pedro II, em 1843.

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