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Em reforma, Hotel Marina já não acende no Leblon

O Globo, Renan Rodrigues, 14/nov

O Hotel Marina Palace, no Leblon, já não acende mais. Pelo menos até o primeiro trimestre de 2021. Eternizado na música "Virgem", de Marina Lima, o empreendimento de luxo está fechado desde o início do mês para obras. O objetivo, segundo o Brazilian Hospitality Group (BHG), que gerencia a unidade desde 2014, é promover uma "reforma completa" para que ele volte a ser "novamente uma referência da hotelaria carioca de luxo, em um dos endereços mais nobres da cidade". De acordo com os administradores do hotel - que em setembro de 2015 ganhou um painel colorido de 75 metros de altura, feito pelo grafiteiro Toz -, as reservas estavam suspensas desde o dia 18 de outubro.

"SÍMBOLO DO BAIRRO"

O letreiro na entrada já foi retirado e, no local, permanecem apenas as marcas do nome famoso do hotel, inaugurado na década de 1980, que serviu de cenário para a novela "Mulheres apaixonadas", da Rede Globo. Um cartaz afixado na portaria principal, na Avenida Delfim Moreira 630, informa que o espaço está "momentaneamente fechado para obras". Ontem, O GLOBO encontrou funcionários de uma transportadora na entrada de serviço, na Rua João Lira, mas ninguém soube dar detalhes sobre a reforma.

- Está fechado desde o início do mês. Estamos em processo de esvaziamento do prédio para, depois, começar a obra - disse um funcionário do hotel, que preferiu não se identificar.

Entre os moradores do bairro, a torcida é pela reabertura do espaço.

- Seria ruim se não reabrisse. É um símbolo do bairro. Ajuda a movimentar a região, dá segurança - lamenta a aposentada Maria Clara Peixoto.

Presidente da Associação de Moradores e Amigos do Leblon, Evelyn Rosenzweig tranquiliza os vizinhos. Segundo ela, representantes do hotel procuraram a entidade em setembro para informar sobre o fechamento:

- Eles procuraram a associação antes desse fechamento. Queriam manter uma proximidade com a comunidade. Acho que a reforma vai ser bom para o bairro. A associação torce para a reabertura total. Imagina como seria ruim um hotel desse fechado. Só não sei se vai continuar o nome.

A rede hoteleira Brazil Hospitality Group concluiu a compra da LM Empreendimentos e Participações, ex-proprietária do Marina Palace, em janeiro de 2014. Na época, a companhia informou que planejava investir R$ 15 milhões em obras no edifício, que conta com 150 apartamentos e ganhará mais dez. Procurado, o grupo não deu detalhes sobre a reforma. No Rio, a companhia é dona de outros quatro hotéis: BHG Rio São Conrado, BHG Rio Leme, Golden Tulip Rio Copacabana e Tulip Inn Rio Copacabana.

Com o fechamento do empreendimento, a orla do Leblon, agora, não tem mais hotéis. O vizinho Marina All Suítes, inaugurado no fim da década de 1970, também está em reforma desde abril e deve mudar de nome: passará a ser chamado de "Janeiro", uma homenagem à cidade. A previsão de reabertura é para o fim do mês de janeiro de 2018. A estrutura, com 42 suítes, não será alterada. Da reforma, segundo o empresário Carlos Werneck, um dos sócios do empreendimento, sairá um hotel de luxo com o "espírito carioca".

Uma baixa, entretanto, os cariocas mais saudosistas já podem aguardar. O badalado Bar d'Hôtel, bistrô que funcionava no local, não retornará, confirma Werneck:

- O bar vai se chamar Janeiro. O restaurante também.

Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ), Alfredo Lopes minimiza o fechamento temporário. Para ele, o momento pós-Olimpíada, com expansão da rede hoteleira e baixa taxa de ocupação, é o correto para a renovação das unidades. A taxa média de ocupação da rede hoteleira em toda a cidade foi de 47% no mês de julho, de acordo com a última pesquisa disponível da ABIH-RJ. No mesmo mês do ano passado, a ocupação média era de 55%.

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