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Pela modernização das cidades

Folha de S. Paulo, Opinião, Alexandre Baldy, 05/dez

A Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad) contínua, realizada pelo IBGE, apresenta, em seus dados de 2016, um conjunto de informações que evidenciam a urgência que o cidadão brasileiro tem sobre o acesso a uma habitação segura, saudável e sustentável. Os dados servem como bússola para a atuação de qualquer gestão que queira modernizar e otimizar a vida do brasileiro.

Destaco alguns dados preocupantes: 34% dos brasileiros moram em casas sem qualquer forma de esgoto. Dos 66% que têm acesso, 30% ainda usam fossa sem ligação à rede apropriada de esgoto. Os dados ficam mais alarmantes quando regionalizamos as informações: na região Sul, 89% das famílias têm esgoto tratado; já na região Norte, são apenas 19%.

O Brasil convive também com desafios quanto ao abastecimento de água: 3,5 milhões de famílias recebem água tratada em suas torneiras, no máximo, três vezes por semana, sendo que centenas de milhares passam semanas sem receber nem uma gota de água sequer.

Poderíamos destacar uma série de outras informações, mas uma delas, em especial, nos chama a atenção: 93% das casas têm pelo menos um aparelho celular. Em 1997, seria impossível imaginar que o celular estaria presente praticamente em todas as casas. No entanto, em 2017, a despeito desse avanço do acesso tecnológico, parece impossível levar água tratada e garantir rede de esgoto em todo o país.

Assumimos o Ministério das Cidades com uma série de desafios para promovermos o desenvolvimento do Brasil, mas afirmo que um deles deve ser prioritário e está longe de ser "impossível": garantir a cada brasileiro condições de moradia saudável, sustentável, segura e com dignidade.

Queremos aplicar os recursos e a capacidade de intervenção do Ministério das Cidades para proporcionar ao cidadão que vive nas cidades o direito ao acesso das condições básicas de saúde pública estrutural. A busca pela modernização das cidades, com destaque ao abastecimento de água e às redes de esgoto, gera um impacto direto na saúde e no desenvolvimento de uma vida mais digna, com mais possibilidades a todos.

Este é um compromisso assumido no momento de minha posse e cujo trabalho já foi iniciado.

Há quem aposte que não haverá tempo para realizar em 14 meses. Mas é preciso agir na gestão da pasta para além desse período. Meu objetivo é planejar e executar ações que criem as bases estruturantes para um trabalho que tenha impacto ao longo de 30 anos. Se não começarmos, nunca terminaremos.

É preciso enfrentar desafios históricos brasileiros que passam de governo em governo por meio de um planejamento e um compromisso real com transformação social. E a melhor forma de iniciar esse trabalho é criando um ambiente melhor, mais saudável e seguro, na casa das pessoas.

Temos os dados, temos a bússola e tenham certeza de que, na minha gestão, terei um compromisso inabalável com o futuro. As ações e projetos devem perdurar como uma política de Estado em constante atualização e esforço dos agentes participantes. Quero dar a minha contribuição na gestão pública, entendendo que cada um deixou a sua contribuição, facilitando o trabalho do próximo que vier.

Nessa corrida de revezamento por mais cidadania, mais saúde, mais infraestrutura nas cidades, é preciso saber conduzir o bastão, mas é fundamental saber passá-lo melhor do que o recebeu. E este é o desafio ao qual eu me lanço agora. 

Alexandre Baldy é deputado federal (sem partido-GO) e ministro das Cidades

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]