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Mercado imobiliário está atento a empreendimentos com serviços compartilhados

A Tarde, Gilson Lage 05/dez

Em todo o Brasil, grupos de amigos e desconhecidos estão planejando construir condomínios em que tenham suas habitações privativas, mas compartilhem serviços que são caros e de pouco uso para uma só família, como lavadora de roupas e, em alguns casos, automóveis. O conceito de coliving, ou "colares", está sendo levado tão a sério que mesmo o mercado imobiliário começa a se movimentar para atender a esse nicho.

Na 28ª Convenção Anual da Ademi, que acontece de 7 a 9 de dezembro, na Praia do Forte, haverá um painel de discussão sobre como conquistar uma fatia do público que está mudando os seus hábitos de consumo e em busca de compartilhar cada vez mais bens e serviços.

"Não faz sentido gastar dinheiro com uma furadeira elétrica para usá-la uma vez e depois guardá-la em um canto da casa para depois esquecer onde colocou", exemplifica Celso Petrucci, presidente da comissão da indústria imobiliária da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), que vem a Salvador discutir o tema.

Assim como Petrucci, o presidente da Ademi-BA, Cláudio Cunha, considera que há uma tendência no mercado de aumento nas áreas comuns dos edifícios e diminuição da metragem da área interna. "Há uma geração, com menos de 40 anos, que está mais aberta a compartilhar serviços, e temos que atender esse público", diz Cunha. Um perfil de compradores que trocaria o salão de festas por um espaço de coworking, por exemplo.

Há divergência quanto ao público preferencial do coliving. A Cbic considera haver um grande potencial para conquistar o público com mais de 60 anos.

Espaços menores

Quem vai se dispor a descer para o playground e ratear os custos ainda é uma incógnita. Mas dentro das quatro paredes a procura por espaços menores é um fato. Um estudo feito a partir de buscas no site VivaReal mostra que 48% dos interessados querem apartamentos de 50 a 100 metros quadrados, enquanto a oferta de unidades nessa faixa pelo site representa 42% do total. "Isso mostra que há espaço para a oferta de apartamentos menores", sinaliza Marcelo Dadian, diretor do VivaReal, que vem à convenção da Ademi para falar sobre o uso da tecnologia nas negociações imobiliárias.

A dúvida é até que ponto o mercado imobiliário vai conseguir atender aos anseios desse novo público que está sendo gestado. Na Bahia, há um grupo no Facebook que troca informações sobre o tipo de moradia que buscam.

Uma das pioneiras em planejamento de coliving no Brasil, a arquiteta paulista Lilian Lubochinski viaja pelo país desde 2013 fazendo palestras e tem prestado consultoria a grupos na Bahia, em Minas Gerais, entre outros estados. Mas até agora ainda não há qualquer projeto.

"É um processo demorado, porque as pessoas têm que negociar o que querem", explica a arquiteta, que afirma não enxergar muitas conexões entre o conceito de coliving e o mercado imobiliário.

Instalar uma máquina de lavar roupas e organizar o seu uso entre os condôminos não parece complicado, mas, no que toca à maioria das escolhas de como seriam as áreas e os equipamentos em comum, a negociação tem sido feita pelos candidatos a vizinhos antes da construção, o que vai na direção oposta dos empreendimentos imobiliários. "A natureza do coliving é de uma construção espontânea", diz Lilian, que há um ano adotou a expressão em português "colares". Apesar disso, ela admite ter recebido convites de empresários do setor para fazer palestras sobre o tema.

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]