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Guilherme Paulus é o empreendedor do ano 2017 em serviços

IstoÉ Dinheiro, Carlos Sambrana, 06/dez

Mal a câmera havia sido desligada, os microfones nem tinham sido retirados da lapela do paletó, e a equipe de produção entrou entusiasmada no estúdio de gravação da B3 para bater um papo com Guilherme Paulus, o homem que, a partir do zero, criou um império do turismo ao impulsionar a operadora CVC. Paulus havia concedido uma entrevista ao programa MOEDA FORTE, na TV Dinheiro, na qual contou toda a sua trajetória empresarial. Ao saber que alguns membros da equipe de áudio e vídeo da bolsa estavam prestes a sair de férias, sacou o cartão de visita do bolso e entregou para as pessoas ali presentes dizendo que indicaria uma agência para vender o pacote.

A cena, por mais comum que seja, revela muito sobre o empresário de 68 anos. Depois de se desfazer de parte da CVC por R$ 750 milhões, após repassar a companhia aérea Webjet para a Gol por R$ 70 milhões e, atualmente, ocupar a presidência do conselho da operadora de turismo, Paulus continua, como ele gosta de dizer, vendendo sonhos. E, mesmo com todo o patrimônio que acumulou - ainda é dono de 8% da CVC, companhia com valor de mercado de R$ 6,35 bilhões, na quinta-feira 30 de novembro - ele trabalha como nos tempos em que oferecia pacotes de turismo para o litoral paulista a metalúrgicos da região do ABC. "Continuo trabalhando porque tenho prazer em desenvolver, gerar empregos e ajudar o Brasil a crescer", diz Paulus. Não é conversa da boca para fora. Nos últimos anos, o empresário investiu R$ 600 milhões na hotelaria, mais precisamente no grupo GJP, uma rede com 20 hotéis espalhados por 11 Estados do Brasil. "A hotelaria é a arte de servir bem os clientes", afirma o empresário, eleito pela DINHEIRO o EMPREENDEDOR DO ANO EM SERVIÇOS.

A rede criada pelo empresário conta com quatro bandeiras: a Wish, de cinco estrelas; a Prodigy, de quatro estrelas; a Linx, de três estrelas; e a linha premium Saint Andrews, localizado em Gramado, um dos mais exclusivos do País, que ostenta o selo Relais & Châteaux. Até outubro, o dado mais recente, 92 mil hóspedes tinham passado pelos hotéis da GJP, que emprega 1,9 mil pessoas. "Nossa ocupação cresceu 5% em relação ao mesmo período do ano passado", diz Paulus. A média atual está na casa de 62% e a tendência é aumentar na mesma proporção que surjam novos empreendimentos e que outros sejam renovados. "Neste ano, inauguramos o Saint Andrews Mountain e vamos inaugurar o Wish Natal no dia 18 de dezembro", diz Paulus.

No total, o investimento chega a cerca de R$ 80 milhões. Além disso, a rede assumiu a administração do Marulhos Suítes Resort, em Porto de Galinhas. "Hotel é igual igreja. Nunca acaba de mexer, nunca acaba a construção. Tem sempre que modernizar." Não à toa, alguns dos seus empreendimentos estão entre os mais celebrados do Brasil, como o Wish Foz do Iguaçu, no Paraná, eleito o melhor hotel de golfe do Brasil pelo World Golf Awards 2017, uma das principais premiações do setor no mundo. Aliás, é bem ao lado do empreendimento paranaense que foi erguido o primeiro condomínio do braço imobiliário GJP Construções, com 109 lotes residenciais que variam de 800 metros quadrados a 1,8 mil metros quadrados e custam entre R$ 528 mil e R$ 1,38 milhão. "E vamos construir outros dois, um em Aracaju e outro em Maceió", diz Paulus.

Há quem enxergue nos investimentos do empresário uma boa dose de coragem, sobretudo, pelo momento que o País atravessa e também pelo chamado custo Brasil. "A carga tributária é muito alta, o custo no País é exagerado e hoje recebemos menos turistas do que há 10 anos", afirma Dilson Jatahy Fonseca Junior, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Nacional). E prossegue. "Quem investe é porque acredita mesmo no Brasil." Detalhe: em 2018, a GJP inaugurará um hotel da bandeira Linx em Juiz de Fora (MG) e, em 2019, outro em Canoas (RS).

A estratégia vai na contramão de um outro problema levantado por Jatahy, da ABIH Nacional, que é a competição inglória com plataformas como o Airbnb, que "pagam menos impostos". Em relação a isso, Paulus lida com tranquilidade. "A plataforma é excelente, mas é muito diferente, não tem a comodidade de um hotel. Não enxergo como um concorrente." A tranquilidade de Paulus também é explicada pela força que seus hotéis contam junto à CVC, uma potência do turismo nacional. A companhia abriu o capital, em 2013, com a ação cotada em R$ 16. Na quinta-feira, 30 de novembro, o mesmo papel era vendido a R$ 44,97. O que explica esse salto é também o fato de a operadora ter iniciado um processo de consolidação, em 2015, que vem dando frutos.

Nos últimos dois anos, a companhia desembolsou quase R$ 1 bilhão para comprar a Submarino Viagens, voltada para a venda de viagens online; a Rextur Advance, que atua no segmento de turismo corporativo; a Trend, com pacotes de lazer distribuídos para agentes de viagens independentes; a Experimento Intercâmbio Cultural, que vende programas de estudos no Exterior; e a Visual Turismo, cujo foco é o ecoturismo. Para ter uma ideia do que isso significa, juntas, as empresas do grupo CVC movimentarão R$ 10 bilhões por ano e deverão transportar 9 milhões de pessoas até o fim do ano. "O Brasil é um país de oportunidades e dá para fazer muita coisa", afirma Paulus, já de olho em novos negócios.

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