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O peso da habitação social nas incorporações

O Estado de S. Paulo, Editorial Econômico, 07/dez

Entre 2008 e agosto de 2017, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) respondeu por 4,9 milhões (77,8%) de 6,3 milhões de unidades produzidas no País, segundo a Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (FipeUSP). Os números mostram a importância das unidades de baixo custo para a área da construção, em contraste com a participação das unidades destinadas aos vários estratos da classe média.

A incorporação de unidades de médio e de alto padrões respondeu, no período, por 20,7% da produção (1,3 milhão de moradias) e as edificações comerciais, por 1,3% (pouco mais de 80 mil unidades).

O déficit habitacional é mais elevado nas faixas de menor renda, o que justifica a expansão dos investimentos nesse segmento, que depende dos financiamentos com recursos públicos ou do FGTS. Há, no entanto, um desbalanceamento do mercado: é mais difícil a situação das companhias que não atuam nesse segmento.

O trabalho da Fipe mostrou a importância da incorporação para a economia brasileira, com ênfase na geração de empregos e na arrecadação de tributos. Patrocinado pela associação dos incorporadores (Abrainc), que reúne as principais empresas do ramo no País, o estudo mostra que 286,9 milhões de metros quadrados (m²) foram construídos entre 2010 e 2017.

As atividades relacionadas à incorporação geraram, em média, 1,9 milhão de empregos por ano - o auge ocorreu em 2014 (2,5 milhões de vagas) e o mínimo (1,3 milhão), em 2017.

Em razão da extensa cadeia de valor da incorporação - que começa na promoção e construção de edifícios e termina na demanda de acabamento e decoração, eletrodomésticos e serviços básicos -, a geração de empregos ocorre em vários segmentos, como indústria de transformação, comércio varejista e atacadista e construção propriamente dita. A receita de tributos foi em média de R$ 19,7 bilhões anuais, dos quais R$ 8,2 bilhões na esfera federal, R$ 6,6 bilhões na estadual e R$ 5,7 bilhões na municipal.

Nos últimos anos, o segmento de incorporação viveu duas grandes crises, a primeira entre 2008 e 2010 e a segunda entre 2014 e 2016. A partir do pior momento, em novembro de 2016, houve lenta retomada, que se torna mais clara com o avanço de lançamentos e vendas. Os preços caíram a partir de junho de 2014 e não dão sinais de recuperação real.

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]