ADEMI na Imprensa

Construtoras farão apostas seletivas, com foco na Zona Sul

O Globo, Glauce Cavalcanti e Pollyanna Brêtas, 10/jan

Mesmo com o mercado imobiliário andando de lado no Rio este ano, construtoras já têm projetos prontos para serem lançados, principalmente na Zona Sul, desde que as atuais condições macroeconômicas do país se preservem. Um dos que merecem destaque é o Edifício Milton Santos, antiga sede do Flamengo no Morro da Viúva, com previsão de sair no segundo semestre.

O prédio, que chegou a ser arrendado em 2012 pela EBX, antiga holding de Eike Batista, para ser transformado em hotel, acabou devolvido ao clube no início de 2016. O plano agora é fazer um retrofit, para que ele seja convertido em residencial de alto padrão pela RJZ Cyrela. Terá 140 apartamentos, com previsão de bater R$ 340 milhões em vendas. Deste total, uma fatia de 30% vai para o Flamengo, que leva ainda outros R$ 26 milhões.

- Este ano, o Rio para de piorar. E já deve haver alguma recuperação. Ainda será um ano sujeito a chuvas e trovoadas. Se as atuais condições forem mantidas e houver estabilidade, é possível esperar pequena melhora - diz Rogério Jonas Zylbersztajn, vice-presidente da Cyrela, com outros três projetos na Zona Sul previstos para este ano.

As condições da economia serão determinantes, destaca José Conde Caldas, presidente da Concal. A construtora tem nove terrenos já com projetos desenvolvidos e aprovados.

- Em 46 anos, nunca tivemos uma crise tão aguda. Agora, o nosso termômetro é São Paulo, que está em franca recuperação. A virada está se dando na economia e, com o aumento nos depósitos da caderneta de poupança, não faltará crédito para financiamentos - diz ele.

Em 2017, houve alta de 14% em lançamentos em São Paulo, frente a 2016, enquanto no Rio houve retração de 30%, segundo Cláudio Hermolin, presidente da Ademi-RJ, que reúne os dirigentes de empresas imobiliárias do mercado carioca. À frente também da Brasil Brokers no Rio, ele prevê aumento de 30% no número de lançamentos comercializados pela empresa em todo o país, sendo 70% em São Paulo e de 5% a 10% no Rio.

- Ano passado foi um período de vender estoques, que caíram cerca de 15%. Este ano, com menos unidades prontas, é hora de retomar os lançamentos, mas vai depender da conjuntura econômica e política - avalia ele.

Alex Strotbek, consultor imobiliário da Areal Pires Advogados Associados, o mercado do Rio ainda não foi normalizado:

- O estoque ainda existe. E há muitas ações judiciais e distratos para devolução de imóveis. (As incorporadoras) estão recebendo os imóveis de volta e revendendo por um valor mais baixo.

Já o segmento de empreendimentos populares segue ativo.

- O público de médio padrão sofreu mais com a restrição de crédito. O popular tem demanda alta. O risco de distrato é menor - diz André Barros, diretor da Mais Consultoria Imobiliária.


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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]