Hoje na Imprensa

Dow Jones cai mais de 4% pela segunda vez nesta semana

O Globo, Ana Paula Ribeiro, 09/fev

O temor sobre a aceleração da alta dos juros básicos nos Estados Unidos derrubou, mais uma vez, os índices da Bolsa de Nova York ontem. O Dow Jones caiu 4,15%, o que representa uma perda de mais de mil pontos, a segunda dessa magnitude esta semana. Já o S&P 500, mais amplo, caiu 3,75%, o maior recuo em mais de seis anos, enquanto a bolsa eletrônica Nasdaq perdeu 3,9%. Ambos os índices deixaram seus patamares recordes e zeraram seus ganhos no ano. Segundo o site CNNMoney, o Dow agora está 10% abaixo de seu patamar recorde, alcançado há duas semanas. No Brasil, a Bolsa de São Paulo, que havia fechado um pouco antes, recuou 1,49%, aos 81.532 pontos.

Ontem, o Dow perdeu 1.033 pontos. Na segunda-feira, havia caído 1.175 pontos, ou 4,6%, a maior queda percentual desde agosto de 2011.

- A poeira ainda não baixou, e acho que tanto quem está comprando quanto quem está vendendo tenta adivinhar o que o mercado realmente quer fazer - disse à Reuters Jonathan Corpina, sócio-gerente sênior do Meridian Equity Partners. - Acredito que isso vai continuar a acontecer nas próximas sessões. 

DÓLAR A R$ 3,281, MAIOR VALOR EM MAIS DE UM MÊS

Vários fatores alimentaram o pânico nos mercados americanos. Durante o dia, o rendimento dos títulos de dez anos do Tesouro americano chegou a atingir 2,88%, o maior patamar em quatro anos. Isso foi considerado um sinal de mais inflação e, consequentemente, de juros maiores.

Além disso, o presidente do Federal Reserve de Nova York, Bill Dudley, afirmou, em entrevista à Bloomberg News, que a economia global está crescendo rapidamente, o que fará com que as autoridades monetárias deixem de recorrer a políticas acomodativas - ou seja, juros baixos e compra de títulos no mercado.

Analistas viram nessas declarações um sinal de que o Fed (o BC americano) pode subir as taxas de juros quatro vezes este ano, em vez das três atualmente projetadas. A taxa básica de juros dos EUA está hoje no intervalo entre 1,25% e 1,50% ao ano.

- Há a preocupação de que se os BCs tiverem que acelerar a alta dos juros, ocorra um problema de liquidez global - disse Bernardo Gonin, analista e gestor da Rio Gestão de Recursos, indicando um cenário de escassez de recursos para países emergentes.

Esse temor, disse, normalmente ocorre após um longo período de euforia nos mercados, com os principais índices batendo recordes consecutivos.

- A era dos juros baixos está chegando ao fim, o que significa que a bebida da festa está acabando. E rápido - disse à Bloomberg Chris Rupkey, economista-chefe do MUFG Union Bank, que, no entanto, não acredita que o Fed subirá os juros em março, pois será a primeira reunião com o novo presidente, Jerome Powell.

Na Bolsa paulista, o Ibovespa, seu principal índice, operou em alta até o início da tarde. Mas entrou em terreno negativo conforme a queda em Nova York ganhava força. O recuo do Ibovespa só não foi maior porque foi nos momentos finais que as Bolsas americanas caíram com mais força.

No mercado de câmbio, o dólar comercial avançou 0,12%, a R$ 3,281. É a maior cotação em mais de um mês.

As principais ações do Ibovespa fecharam em queda. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras recuaram 2%, a R$ 19,05, e as ordinárias (ON, com voto) caíram 3%, a R$ 20,35. A Vale perdeu 0,28%. No setor bancário, o de maior peso no índice, as ações PN do Itaú Unibanco e Bradesco tiveram variação negativa de, respectivamente, 0,49% e 1,23%. O Banco do Brasil caiu 3,14%.


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