ADEMI na Imprensa

Hora de se capitalizar

Extra, Raphaela Ribas, 04/mar

Para sair do prejuízo, zerar estoques e partir para novos empreendimentos, as construtoras e as imobiliárias começaram o ano com promoções para impulsionar a venda de seus imóveis após um período de vacas magras. Algumas baixaram os preços das unidades e outras estão recorrendo a brindes e facilidades, sendo que a mais corriqueira é aceitar um carro como parte do pagamento - pagando em torno de 90% do valor base da tabela Fipe.

OFERTA E DEMANDA

Na Zona Sul, há poucas ofertas. Historicamente, devido à escassez territorial, a procura ainda é maior do que a oferta. E a liquidez, maior. Ainda assim, para se ter uma ideia, o número de unidades residenciais lançadas em 2017 - que já não foram lá muita coisa, total de 247 - foi um quarto do ano anterior (62), segundo o Sindicato da Habitação (Secovi-Rio).

As zonas Norte e Oeste, entretanto, são o calcanhar-de-aquiles do setor. Com mais espaço, a região teve mais lançamentos nos últimos anos e, com a crise, maior encalhe. Ainda assim, o número de lançamentos também caiu consideravelmente, passando de 3.199 unidades em 2016 para 1.921 unidades no ano passado. Barra e adjacências, e Zona Oeste, também tiveram menos unidades lançadas, na comparação.

- O mercado no Rio tem uma particularidade e se divide. A Zona Sul é uma ilha cercada por barreiras geográficas. Não tem para onde crescer. Não dá para expandir, por isso tem mais procura que oferta. E é uma demanda eterna, tem status e as belezas naturais - diz o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Claudio Hermolin. Já em relação às zonas Oeste e Norte, ele afirma que foi o maior mercado.

- Foi o que teve mais lançamentos e acumulou maior estoque. Agora, não há novidades: que está se vendendo é estoque.

Na Zona Oeste há uma concorrência maior, pois há mais lançamentos. Por enquanto, o setor espera vender o estoque, mas os indicadores econômicos vêm animando.

- Acho que vai melhorar - afirma Thiago Hernandez, gerente comercial da construtora Calçada, destacando que, mesmo com a crise, a Zona Norte representou 50% das vendas em 2017.

DESISTIR É PREJUDICIAL

Segundo ele, a devolução de imóveis prejudicou ainda mais o cenário imobiliário no Rio. Em contrapartida, afirma, a situação deve mudar até o próximo ano.

- O Judiciário é ruim neste sentido, pois exige que a empresa retorne até 80% do valor do imóvel em caso de desistência, seja qual for o motivo. Isso acaba com o negócio. Imagina se todos quisessem devolver, como ficariam as construtoras? - questiona, referindo-se à grande taxa de devolução em 2016 e 2017.

Preços reduzidos para atrair mais compradores

Um dos locais onde há muitas unidades é o Pontal Oceânico - chamado de "novo bairro" da região do Recreio, por sua área de 550 mil metros quadrados. A Sawala Imobiliária está vendendo quatro empreendimentos, que somam 350 unidades com dois a quatro quartos e cobertura.

Esses apartamentos, que custavam R$ 487 mil, passaram a ser vendidos por iniciais R$ 369 mil. Entre as ações para movimentar as vendas, a empresa aceita carro como parte de pagamento e o FGTS na entrada. Para o presidente da Sawala, Márcio Cardoso, o cenário já foi pior para as incorporadoras.

- Os valores foram se ajustando, acompanhado o mercado. Hoje, estas unidades estão com altíssima liquidez - afirma ele.

Hernandez, da Calçada, acrescenta que ainda que os imóveis no Recreio tenham sofrido depreciação no ano passado, o Maui, também no Pontal, por exemplo, foi o carro-chefe da empresa e vendeu muito bem.

Outra com promoção é a Avanço Realizações Imobiliárias, que está com 11 apartamentos de dois quartos prontos para morar, na Freguesia. Os imóveis do Araguaia Residences passaram de R$ 439 mil a R$ 399 mil.

- Outras vantagens são a "varanda gourmet" e o sistema de automação residencial com capacidade para controlar até 12 eletrônicos através de controle remoto único ou do uso do software, e a preparação para ar split nos quartos e na sala - explica Sanderson Fernandes, diretor da Avanço.

Quem também baixou os preços foi a Azul Construções. As coberturas do Residencial Nova Califórnia, localizado em Campo Grande, passaram de R$ 650 mil para R$ 437 mil. São 160 metros quadrados, com três quartos, sendo uma suíte. Assim como as demais, aceita carro de entrada e FGTS.

- As coberturas estão com preços de apartamentos normais porque a empresa precisa vender essas unidades que estão prontas para se manter capitalizada, investir em novas construções e, por consequência, gerar mais vendas - afirma José Marques, diretor da Azul.


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