ADEMI em foco

A Casa do Trabalhador

O Ministério do Trabalho e Emprego divulgou, recentemente, uma proposta de promover o "carro do trabalhador", com objetivos de retomar os níveis de produção da indústria automobilística, reduzir o desemprego e criar mecanismos para que uma parte maior da população tenha a possibilidade de adquirir um automóvel. O mesmo deveria ser feito pela Cadeia Produtiva da Construção Civil: a criação da Casa do Trabalhador.

A habitação é um bem social, uma necessidade de todos, não um produto de consumo. Uma  casa popular custa cerca de 10 mil reais, ou seja, menos do que o mais popular dos automóveis.
 
Há dez anos, não há uma autoridade federal diretamente responsável pelo setor habitacional urbano. As políticas habitacionais dos últimos anos têm tido pequena abrangência e não vêm refletindo a realidade das famílias brasileiras. Resultado: acumulamos hoje um déficit habitacional de 6,6 milhões de moradias.
 
A dura realidade é que o mercado imobiliário se restringe praticamente àqueles que podem comprar um imóvel à vista. Hoje, o financiamento habitacional é incerto e escasso. Por isso, as cidades estão cada vez mais condenadas a um favelamento descontrolado. Não é aceitável que a população não disponha de meios de acesso a uma moradia digna e saudável.
 
Enquanto a indústria automobilística tenta desovar os cerca de 170 mil veículos que se acumulam nos pátios das montadoras, nós da Indústria Imobiliária tentamos diminuir esta enorme lacuna de quase 7 milhões de habitações. Uma triste realidade para um setor que representa 19% do Produto Interno Bruto (PIB) e é o maior empregador de mão-de-obra do País.
 
A Construção Civil, como a indústria automobilística, precisa se reaquecer, precisa voltar a produzir. A exemplo do que está sendo feito pelo automóvel, que haja subsídio, redução de impostos e de juros para a aquisição da casa própria.
 
Não dá para fecharmos os olhos e esquecer que a Construção Civil desempregou, nos últimos anos, cerca de 500 mil trabalhadores. Não porque quisemos, mas porque a falta de uma política habitacional clara, adequada e de longo prazo fez minar um setor que gera emprego rápido e ativa a economia.
 
O setor da construção civil está disposto a fazer o que estiver a seu alcance para, junto com o governo, gerar novos empregos e, ao mesmo tempo, garantir ao povo brasileiro o acesso a uma moradia digna, ou seja, participando no sentido de concretizar o sonho da Casa do Trabalhador.

Márcio Fortes



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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]