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'É bom começar 2018 com inflação abaixo da meta', diz Ilan

O Globo, Gabriela Valente e Ana Paula Ribeiro, 13/mar

O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, afirmou, ontem, que foi bom começar este ano com a inflação abaixo da meta, pois não foi preciso subir juros num momento em que a economia está se recuperando. Com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) baixo, analistas, porém, já refazem os cálculos e projetam crescimento menor.

No Boletim Focus divulgado ontem, o mercado reduziu as projeções para a inflação neste ano e em 2019. Para 2018, o levantamento do Banco Central que reúne as principais instituições financeiras do país trouxe um recuo de 3,70% para 3,67%, enquanto, para o próximo ano, de 4,24% para 4,20%.

Quanto ao Produto Interno Bruto (PIB), também houve alteração no cenário para este ano, com redução da previsão de crescimento de 2,90% para 2,87%.

- É bom começar o ano de 2018 com a inflação abaixo da meta, e não acima da meta. É sempre algo mais fácil de lidar do que com a inflação pressionada no limite superior, o que implicaria você ter que reagir com mais ênfase - disse Ilan, em evento realizado em São Paulo. 

'LADO MAIS FÁCIL DE LIDAR'

O presidente do Banco Central rebateu as críticas de que a inflação estaria baixa demais. Disse que o problema do país nunca foi - ao contrário do que é verificado em economias maduras - índices muito baixos. Segundo ele, o problema do país é ter mantido juros altos por décadas. Ilan também ressaltou o "lado do bem" da inflação baixa:

- Pode ser que a inércia que sempre nos empurrou a manter a inflação alta nos empurre a ter inflação baixa por mais um tempo. É o lado do bem, porque é o lado mais fácil de lidar.

O presidente do BC fez questão de frisar que o país vive hoje com uma taxa básica de juros (Selic) de 6,75% ao ano, a menor da História. E que essa queda foi feita com responsabilidade e credibilidade. Ele chegou a lembrar que, no passado, os juros no Brasil já foram de 7,25% ao ano. Quando o BC do governo Dilma Rousseff derrubou os juros para esse patamar, porém, a taxa não foi sustentável. Em 2015, a inflação chegou a 10,67%, quando a meta era de 4,5%.

Ele ressaltou que espera que os juros fiquem baixos por muito tempo, mas disse que, para isso, é preciso continuar com a agenda de reformas.

Ainda segundo o Boletim Focus, a Taxa Selic deve encerrar o ano em 6,5%, e não mais em 6,75%. Isso significa que a avaliação é de que haverá mais um corte de juros, o que pode ocorrer na semana que vem, quando há reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

A aposta de que a Selic sofrerá mais um corte na próxima semana animou também os investidores locais. Ontem, o Ibovespa, principal índice da B3, fechou em alta de 0,61%, aos 86.900 pontos. Com juros mais baixos, os investidores precisam procurar alternativas para melhor remunerar os recursos aplicados, e os investimentos em renda variável, como ações, ganham força. Já o dólar comercial fechou em leve alta de 0,18% ante o real, cotado a R$ 3,258.

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