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Índice do BC aponta retração de 0,13% no 1º trimestre

O Globo, Gabriela Valente e Eliane Oliveira, 17/mai

A economia brasileira frustrou as expectativas e encolheu no primeiro trimestre. O índice do Banco Central que mede a atividade (IBC-Br) mostrou queda de 0,13%. A previsão dos analistas era de uma alta de 0,2% nos três primeiros meses do ano. Pelas contas da autoridade monetária, o Brasil interrompeu uma sequência de quatro trimestres de crescimento. Com o aumento da turbulência no mercado financeiro, a disparada do dólar e um cenário político incerto, as projeções de crescimento começam a migrar para 2% neste ano. Mas já há quem acredite que pode nem chegar a isso.

A indefinição de um candidato de centro também tem aumentado a dose de incerteza no mercado financeiro, segundo economistas. Para Evandro Buccini, economistachefe da Rio Bravo Investimentos, isso favorece candidatos que não têm tanta simpatia do mercado. E, em um cenário de desaceleração mundial mais forte que o esperado, o Brasil sofre com os impactos.

Ele espera o resultado oficial do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, compilado pelo IBGE, para revisar sua aposta de 2,6% para 2% de crescimento neste ano. Isso se o dado apontar 0,4% de expansão.

- Se o PIB do primeiro trimestre for menor que 0,2%, há riscos de a gente crescer menos que 2% neste ano - disse Buccini.

O número oficial pode ser diferente dos dados do BC, apelidados de "prévia do PIB". De acordo com a autarquia, houve uma retração da atividade em cada um dos três primeiros meses deste ano. O tombo mais forte foi em março: 0,74%. Isso puxou o desempenho trimestral ainda mais para baixo.

Após a divulgação do IBC-Br, o Bank of America Merrill Lynch reduziu a projeção para o PIB brasileiro deste ano. A expectativa, que era de expansão de 3%, caiu para 2,1%. Na semana passada, o Itaú já tinha reduzido sua projeção de 3% para 2%. 

'CRESCER 2% JÁ É BEM OTIMISTA' 

Em relatório a clientes, o Bank of America destaca que os resultados do mercado de trabalho têm sido frustrantes, com a taxa de desemprego alcançando 13,1% em março - hoje, o IBGE divulga os resultados de abril.

O setor de serviços, que já foi motor do crescimento, encolheu 1,5% no primeiro trimestre. Já indústria e varejo tiveram um desempenho positivo, apesar de os dados de março revelarem uma inconstância da recuperação. A indústria teve expansão de 3,1%, e o comércio, de 3,8%.

Nos últimos 12 meses, a expansão da economia foi de apenas 1,05%, nas contas do BC. Para o economista-chefe da corretora Spinelli, André Perfeito, o processo de redução da taxa básica de juros, iniciado em outubro de 2016 ainda não teve o efeito desejado porque o canal de transmissão dessa política estaria obstruído:

- Crescer 2% já é bem otimista. Estamos em uma situação frágil da economia. É uma questão política, mas econômica também. Teve um ajuste recessivo, e a ociosidade ainda está pior do que em 2008. Como o empresário vai investir?

Perfeito ressaltou que, no ano passado, houve a supersafra de alimentos, e os recursos do FGTS inativo ajudaram a movimentar a economia. O que não se repetirá este ano.

O próprio governo deve rever sua projeção de crescimento, atualmente em 3%. O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou ontem que isso deve ser feito na próxima semana, na divulgação do relatório bimestral de receitas e despesas. Ele admitiu que o resultado poderá afetar a arrecadação, mas que isso não preocupa a área econômica. Isso porque números preliminares de abril mostram que a alta do petróleo ajudou a reforçar a arrecadação de royalties.

- Estamos tendo uma surpresa com os royalties. Todo o nosso planejamento de arrecadação de royalties deste ano foi baseado no preço do petróleo em torno de US$ 50 dólares, e o preço está em US$ 75.


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