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BC coloca US$ 2,75 bi no mercado, mas dólar avança 0,5%, a R$ 3,728

O Globo, Ana Paula Ribeiro, 12/jun

A cautela em relação ao rumo dos juros nas principais economias do mundo voltou a pressionar as moedas de países emergentes e fez o dólar comercial fechar em alta de 0,51%, a R$ 3,728, mesmo com a atuação mais forte do Banco Central, que totalizou US$ 2,75 bilhões. Já o Ibovespa, principal índice acionário do mercado local, recuou 0,86%, aos 72.307 pontos.

Na avaliação de Ignacio Crespo, economista da Guide Investimentos, a alta do dólar reflete o ambiente mais adverso para as economias emergentes em uma semana de tomada de decisão sobre a política monetária por parte de três grandes bancos centrais: de Estados Unidos, Europa e Japão.

- Esses três BCs, em alguma medida, estão caminhando para normalizar as políticas de estímulo e fazer com que a liquidez global vá aos poucos diminuindo. Esse quadro é negativo para emergentes, daí ocorre a depreciação das moedas - disse Crespo, referindose ao aumento de juros nos EUA e à retirada de estímulos monetários na Europa.

SINALIZAÇÃO DO FEDERAL RESERVE 

A decisão de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano) será amanhã. Analistas esperam que a taxa seja elevada em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 1,75% e 2% ao ano. As atenções, no entanto, estarão voltadas para a sinalização que o Fed deve dar sobre quantas altas devem ocorrer no restante do ano. Cresce a expectativa de que, ao todo, sejam quatro aumentos, com a taxa encerrando 2018 no intervalo entre 2,25% e 2,5% (já houve uma alta em março). O o Banco Central Europeu (BCE), por sua vez, reúne-se na quinta-feira, e o Banco do Japão, na sexta.

A moeda americana variou entre a mínima de R$ 3,674 e a máxima de R$ 3,731. A menor cotação ocorreu pouco após o BC realizar, no fim da manhã, um leilão de 50 mil contratos (US$ 2 bilhões) de swap cambial, que equivalem a uma venda de moeda no mercado futuro. Essa operação se somou à oferta de 15 mil contratos, o equivalente a US$ 750 milhões, que a autoridade monetária vem realizando diariamente desde maio. Esse esforço, no entanto, não foi suficiente para conter o movimento global.

Cleber Alessie, operador da corretora H.Commcor, lembra, porém, que a alta de ontem, de 0,51%, é muito pequena em relação à queda de 5,5% registrada na sexta-feira, primeiro dia da nova estratégia do BC de intervenção no mercado de câmbio, que agora deixa para divulgar, no próprio dia, o tamanho dos lotes de swaps que serão ofertados. O que se sabe apenas é que esse processo irá totalizar US$ 24,5 bilhões - na sexta-feira, foram US$ 3,75 bilhões.

- A oferta não será mais da mesma magnitude a cada dia. O BC deixou isso como uma incógnita, o que ajudou a controlar os excessos e a volatilidade no movimento de valorização do dólar - ressaltou Alessie.

No câmbio turismo, o Banco do Brasil oferecia o dólar a R$ 3,86 em espécie e a R$ 4,04 no cartão pré-pago. Na DG Câmbio, as cotações eram de R$ 3,87 e R$ 4,08, respectivamente. Já a Cotação cobrava R$ 3,88 pelo papelmoeda e R$ 4,11 pelo cartão. Os valores incluem o IOF.

Na Bolsa, repercutia a última pesquisa Datafolha. Segundo Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos, o mercado interpretou como neutro o resultado do levantamento. Ele ressaltou ainda que o elevado número de brancos e nulos nas intenções de voto mostra que o cenário ainda está indefinido.

Na Bolsa, pesaram a incerteza política e o cenário externo pouco favorável aos emergentes. A queda não foi maior graças à Petrobras. As ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da estatal subiram 1,04%, a R$ 15,41, e as ordinárias (ON, com voto) avançaram 2,16%, a R$ 18,39.

VIA VAREJO AVANÇA 4,35% 

Os papéis da Via Varejo subiram 4,35%, a R$ 20,15, com a expectativa de seu controlador, o Casino, vender uma fatia do negócio. O grupo francês anunciou ontem um plano para vender US$ 1,8 bilhão em ativos e usar os recursos para reduzir seu endividamento. A empresa não especificou que ativos serão vendidos, informando apenas que entre eles há muitos imóveis.

Em Nova York, o índice Dow Jones teve leve alta, de 0,02%, e o S&P 500 subiu 0,11%.


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