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Patrimônio por água abaixo

O Globo, Simone Candida, 13/jun

Fontes e chafarizes, que fazem parte da história do abastecimento de água da cidade, refletem o descaso com o patrimônio público. A maioria deles está seca, depredada e pichada. Um dos exemplos desse abandono é o Chafariz do Lagarto, na Rua Frei Caneca, no Centro, inaugurado em 1786 e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Há rachaduras na fachada, a estátua de lagarto, por onde jorrava água, está quebrada, e moradores de rua ocupam o tanque. Logo ali ao lado, o Chafariz de Paulo Fernandes - monumento de 1816, que exibe belos detalhes em cantaria, portas e janelas de madeira e um delicado gradil na varanda do segundo piso - teve destino semelhante: as cinco bicas de ferro fundido foram roubadas, e pichações cobrem a peça, além de infiltrações.

O historiador Olínio Coelho lembra que, no Chafariz do Lagarto, a escultura original já havia sido roubada na década de 1970. A réplica ainda resiste, mas está com uma das patas e o rabo quebrados.

- Esses chafarizes importantes no passado não têm mais água, não cumprem nem mais a função ornamental - criticou Coelho.

Um grupo de historiadores, estudantes e restauradores está mobilizando voluntários para fazer a limpeza do Chafariz do Lagarto. Já o Iphan informou que esses monumentos devem ser cuidados pela prefeitura. A Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente alega que os bens tombados são do instituto.

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]