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BC reduz projeção para alta do crédito este ano a 3%

O Globo, Bárbara Nascimento, 13/jun

O Banco Central (BC) revisou suas estimativas e prevê que o mercado de crédito vai avançar 3% em 2018. Em março, essa previsão era de 3,5%. Segundo o Relatório de Economia Bancária, divulgado ontem pelo BC, o crescimento do saldo de crédito será puxado pelas pessoas físicas: 7%. Para as empresas, espera-se uma queda de 2%.

No ano passado, o mercado de crédito encolheu 0,5%, após uma forte queda em 2016. As concessões de financiamento às pessoas físicas cresceram 5,7%, influenciadas pela queda da inflação e da taxa básica de juros, pela melhora do emprego e o aumento da confiança do consumidor. As concessões às empresas, no entanto, tiveram queda de 6,7%. 

INADIMPLÊNCIA COMEÇA A CAIR 

O BC ainda apontou que o custo médio das operações de crédito teve um leve recuo no ano passado, de 1,3 ponto percentual. Assim, chegou a 21,3% ao ano em dezembro. O relatório mostra que a inadimplência tem tido peso significativo no custo do crédito. Excluindo-se o custo de captação de recursos pelos bancos, entre 2015 e 2017, a inadimplência respondeu por 37,4% da composição do Indicador de Custo do Crédito (ICC).

O número de inadimplentes (clientes com dívidas superiores a 90 dias), que vinha crescendo nos últimos anos devido à crise econômica, teve queda de 0,5 ponto percentual em 2017. Com isso, o percentual de operações em atraso foi de 3,2% no ano passado. O BC lembrou que esse dado tem impacto direto nas taxas de juros cobradas nos financiamentos: "Quanto maior a taxa de inadimplência, maior a taxa de juros necessária para cobrir a perda com a inadimplência."

Também pesam na composição do custo do crédito (descontado o custo das captações) as despesas administrativas (25%), os tributos, o Fundo Garantidor de Créditos (22,8%) e o lucro dos bancos. Este último quesito teve um incremento médio de 14,9% entre 2015 e 2017. Só no ano passado, a chamada margem financeira das instituições bancárias foi responsável por 14,04% do ICC. 

CONCENTRAÇÃO AINDA É ALTA 

O relatório avalia que o nível de concentração bancária não teve alteração significativa no ano passado. Em 2016, o Brasil figurava no grupo de países com os sistemas bancários mais concentrados do mundo, que inclui Austrália, Canadá, França, Holanda e Suécia. Por outro lado, o BC ressalta que, nos últimos 17 anos, houve aumento da concorrência bancária e destaca o crescimento do número de cooperativas de crédito que entraram no mercado.

O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Viana, que apresentou o relatório, afirmou ainda que a autoridade monetária tem tentado atuar, por meio da Agenda BC+ (que inclui medidas como a duplicata eletrônica, a autonomia do BC e o cadastro positivo) para que o custo do crédito diminua mais rapidamente para o consumidor.

- Queremos que o custo do crédito caia mais e mais rápido. Temos tomado iniciativas de política econômica aqui no BC para isso. Queremos uma queda sustentada do custo do crédito. Uma queda temporária não vai gerar benefícios duradouros para a sociedade e pode provocar frustração - afirmou Viana.


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