ADEMI na Imprensa

Comprar ou esperar?

Extra, Raphaela Ribas, 24/jun

Depois do auge, a recessão. E, agora, a dúvida: qual a melhor hora para comprar um imóvel no Rio? A matemática para se chegar a uma resposta exata é complexa. Por um lado, há vários imóveis encalhados. Dados da Ademi mostram que, em janeiro de 2016, havia 12.824 imóveis em estoque.

Sem compradores, os lançamentos ficaram suspensos por um tempo e as unidades encalhadas passaram a ser a opção. Com isso, o estoque vem caindo nos últimos dois anos e, segundo o levantamento mais recente, feito em fevereiro, era de 5.635 unidades.

Por outro lado, depois de um período em ponto morto e com os estoques diminuindo, as construtoras voltaram a lançar empreendimentos neste ano, com expectativa de outros mais em 2019.

Junte a isso as incertezas sobre o futuro econômico, político e social, que são cada vez maiores. Nesta mudança lenta, porém contínua, o comprador em potencial fica sem saber se vale a pena comprar um imóvel agora, e se os preços vão subir ou cair no próximo semestre (e em 2019).

Para o professor do MBA em Negócios Imobiliários da FGV, Paulo Porto, esta é uma hora favorável ao comprador que tem condições de pagar à vista ou dar uma boa entrada. Por dois motivos: os preços devem subir nos próximos anos e, diante de um cenário em que as construtoras precisam se capitalizar, o momento de negociação é favorável.

- Não é que os imóveis estejam mais baratos, mas as condições para a aquisição estão melhores. Com o pagamento à vista em um empreendimento com grande estoque, pode-se chegar a 35% de desconto em um imóvel de médio padrão (entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão). Se a entrada for entre 20% e 40%, o desconto pode variar de 20% a 25%.

À espera da eleição

O professor de Economia e Finanças do Ibmec-RJ, Tiago Sayão, concorda com a opinião de que este é um bom momento para aquisição de um imóvel - mas isso só vale para quem tem uma boa soma guardada.

Ele chama a atenção para um outro cenário, diferente do pagamento à vista ou com boa entrada para obter os melhores descontos.

- Se for para pegar um financiamento, o comprador precisa avaliar o seu custo final por mês e considerar que, mesmo com os bancos tendo baixado as taxas de juros, houve uma revisão para cima da previsão da taxa de inflação. Isso é preocupante porque significa que em algum momento os juros do financiamento imobiliário também vão subir. Neste caso, é melhor esperar o fim do ano para ver qual será a perspectiva de inflação para 2019.

Além da inflação, Sayão acrescenta que é melhor esperar passar as eleições, que serão decisivas para os rumos da macroeconomia e, consequentemente, para os financiamentos.

Segundo ele, mesmo com todas as facilidade hoje, esperar algumas semanas até outubro é aconselhável.


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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]