ADEMI na Imprensa

Nova regra do FGTS aquece mercado imobiliário do Rio

O Globo, Glauce Cavalcanti e Bruno Rosa, 02/ago

O pacote de medidas para impulsionar a compra da casa própria anunciado pelo governo na terça-feira deve dar novo fôlego ao mercado imobiliário no Rio, que tem 102.372 apartamentos, casas, coberturas e condomínios à venda e registra queda de 7% a 10% nos preços nos últimos 12 meses. O aumento do limite de financiamento com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de R$ 950 mil para R$ 1,5 milhão, a partir de 1º de janeiro de 2019, deve estimular o segmento. Com a mudança, quase 75% da oferta de imóveis na cidade poderão ser financiados com recursos do Fundo, segundo dados do Secovi Rio, sindicato que reúne empresas do setor imobiliário. Antes da mudança, esse percentual era de apenas 58,5%.

O teto de R$ 1,5 milhão já tinha vigorado temporariamente entre fevereiro e dezembro do ano passado para São Paulo, Rio, Minas e Distrito Federal. Desta vez, será válido para todo o país.

Impacto no preço

O Rio tem hoje 16.734 imóveis à venda por valor entre R$ 950 mil e R$ 1,5 milhão. Os bairros com maior oferta nesta faixa de preço são Barra da Tijuca, Recreio, Copacabana, Tijuca e Botafogo.

Segundo Claudio Hermolin, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), as iniciativas vão permitir que mais famílias tenham acesso ao mercado imobiliário com o uso de recursos do FGTS. Mas, segundo ele, os preços dos imóveis poderão ficar mais caros a médio e longo prazos:

- A curto prazo, haverá uma maior concorrência entre os bancos, o que tende a reduzir as taxas de juros para esse segmento. O benefício será para todo o país. Cidades onde há mais emprego formal e maior peso do funcionalismo público tendem a ser mais beneficiadas, como no Rio. Haverá uma velocidade maior de vendas e, com isso, uma redução de estoques. Dessa forma, há uma tendência de alta nos preços mais para frente.

Para Leonardo Schneider, presidente da Secovi Rio, a iniciativa é boa para o mercado imobiliário, que vive um momento delicado. Segundo ele, as medidas vão facilitar a aquisição de unidades em grandes centros urbanos, como no Rio, o que deve impulsionar o setor.

- Vai permitir uma recuperação. Nos últimos 12 meses, os preços dos imóveis no Rio tiveram queda de 7% a 10%. É um incentivo para o mercado, que ainda está muito devagar. Não faz sentido falar em aumento de preços neste momento, pois será preciso sentir o que vai acontecer com o mercado nos primeiros meses.

A medida é bem-vinda também para a construção civil. O setor encolhe há 16 trimestres na comparação com igual mês do ano anterior.

Segundo dados da Brasil Brokers, o número de novas unidades lançadas entre o primeiro trimestre de 2017 e os três primeiros meses deste ano subiu de 330 para 1.536 na cidade do Rio. Porém, o volume de imóveis em estoque saltou de 47 para 815 unidades.

Dois quartos em Ipanema

Mensalmente, o Secovi Rio elabora uma tabela com os preços dos imóveis para compra e venda no Rio, divididos em três faixas de valor: mínimo, médio e máximo. Em Jacarepaguá, com o novo teto de R$ 1,5 milhão para o financiamento com o saldo do FGTS, o carioca pode comprar um quatro quartos no segmento de preço máximo, a R$ 1,18 milhão. Com um pouco mais do que isso, por R$ 1,35 milhão, consegue levar um apartamento também de quatro quartos em Botafogo, mas na faixa de preço mínimo.

Há também oportunidade para quem busca um imóvel maior em bairros da Zona Norte. Na Tijuca, uma unidade de quatro quartos, no segmento médio de preço, custa R$ 1,15 milhão, valendo destacar que um três quartos na categoria superior sai a R$ 1 milhão. No Méier, as unidades de quatro quartos superiores batem em R$ 850 mil.

De outro lado, nos bairros onde o metro quadrado é mais valorizado na cidade, o limite de financiamento abraça imóveis de menor porte. Em Ipanema, o comprador pode quase esgotar o teto de R$ 1,5 milhão ao mirar um quarto e sala classificado como top: paga-se R$ 1,21 milhão pelo imóvel, embora existam unidades a partir de R$ 530 mil na faixa de preço mínimo. No bairro da Zona Sul, contudo, o sonho da casa própria, com ajuda do FGTS, não vai além de um dois quartos, que, na média, sai por R$ 1,45 milhão.


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