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Centenária, Votorantim amplia diversificação

Folha de São Paulo, Taís Hirata, 09/ago

O grupo Votorantim completa cem anos em 2018 com a meta de ter mais estabilidade na receita a partir de uma nova etapa na diversificação dos negócios.

A empresa quer ampliar seus investimentos em geração de energia elétrica e no mercado imobiliário, de acordo com o diretor-presidente, João Miranda.

"É uma grande jornada que começou com indústria de base e hoje já assume um contorno bastante diferente", disse.

A geração de caixa do grupo ainda está muito atrelada a empresas de mineração, alumínio e cimento.

Juntas, essas operações representaram 95% do Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) ajustado do grupo no primeiro trimestre deste ano -sem contar as empresas de sucos e o banco Votorantim.

O objetivo é ampliar a participação de negócios que estejam menos expostos às variações de câmbio e de preços de matérias-primas.

Desde o ano passado, a companhia decidiu se desfazer de sua empresa de celulose, a Fibria (vendida para a Suzano), e de sua operação de aço longo (que passou a ser subsidiária da ArcelorMittal Brasil).

Ao mesmo tempo, acertou uma parceria com um fundo de pensão canadense, o CPPIB (Canada Pension Plan Investment Board), para ampliar a presença na geração de energia, com foco em fontes renováveis.

A meta é atuar tanto no mercado livre de energia (em que consumidores negociam contratos de compra e venda com os geradores) como participar de leilões no mercado regulado (em que as distribuidoras contratam a usina por um prazo longo), disse Miranda.

O grupo tem buscado tanto aquisições como o desenvolvimento de novos projetos.

Outro segmento com perfil de receita mais estável no qual o grupo pretende investir é o setor imobiliário.

"Gostaríamos de desenvolver uma carteira de propriedades imobiliárias existentes, para renda ou para ganhos de capital."

Além disso, a Votorantim avalia entrar no setor de infraestrutura, potencialmente assumindo concessões -no entanto, ainda não há alvo específico, diz Miranda.

"A gente olha o assunto há três anos já, apesar de estar no momento errado para is- so. Mas acreditamos muito na demanda dos serviços e que as relações público-privadas serão necessárias", disse.

Em 2017, o grupo reverteu o prejuízo líquido de R$ 1,25 bilhão em 2016, ao atingir um lucro líquido de R$ 810 milhões.

No primeiro trimestre deste ano, o resultado positivo se manteve, com um lucro líquido de R$ 150 milhões.

Em meio a uma onda de maior participação de empresários na política, o grupo também aproveitou o centenário em ano eleitoral para lançar um aplicativo para ajudar eleitores a decidirem seus candidatos.

O app traz um exercício em que o usuário opina sobre temas debatidos no Congresso e aponta os partidos que votaram com ele.

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