ADEMI na Imprensa

Imóveis: uma luz no fim do túnel?

O Globo, Morar Bem, 14/out

O mercado imobiliário no Rio se recupera lentamente da má fase. De acordo com estudo do Secovi-Rio, no segundo trimestre de 2018 foram negociados 31% mais imóveis do que nos primeiros três meses do ano. O mês de junho -quando a Caixa ampliou o limite de financiamento para 80% - registrou o melhor resultado: 4.263 unidades negociadas, 30% a mais do que no mês anterior.

Apenas no segundo trimestre foram negociados 10.817 imóveis, 31,2% a mais do que o mesmo período de 2017 (8.242).

De acordo com Claudio Hermolin, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), outro indicador importante que demostra uma leve retomada é a velocidade média na venda de lançamentos.


- O mercado imobiliário carioca já dá sinais de recuperação. Além dos números apontarem bairros da Zona Oeste, como Jacarepaguá, Barra e Recreio, como os que mais lançaram e venderam imóveis este ano no Rio, recentes novidades nas zonas Sul e Norte aumentaram a confiança do mercado - afirma.

A construtora INTI Soluções Imobiliárias percebeu tal melhora. Segundo o diretor, Andre Kiffer, diferentemente do ano passado, em 2018 a empresa fez diversos lançamentos no primeiro semestre. E alguns tiveram 70% das unidades vendidas no primeiro mês.


- Zeramos o estoque do nosso empreendimento no Humaitá e lançamos um novo em Ipanema - comemora.

É HORA DE COMPRAR?

Na Calçada, as vendas de empreendimentos no Recreio têm puxado a retomada, seguidas pelos imóveis da Zona Norte.


- Os estoques baixaram e consequentemente os novos lançamentos virão. Será uma nova fase para o mercado -aposta Bruno Oliveira, gerente de marketing.

Paulo Porto, professor da FGV, considera que 2017 foi tão desastroso para o mercado imobiliário do Rio que qualquer avanço nos números vai ser sinal de retomada, uma luz no final no túnel. No entanto, ele acredita que o setor só voltará a crescer, de fato, em 2020.


- Há um tripé no mercado imobiliário: crédito, renda e confiança. Com as medidas da Caixa - aumento da cota de financiamento de imóveis para 80% e uso do FGTS para a compra de imóvel de até R$ 1,5 milhão - o crédito retornou a um ponto bom.

Outros dois pilares, porém, ainda estão muito em baixa: a falta de confiança no futuro por parte dos brasileiros e o altíssimo índice de desemprego - 12,7 milhões, segundo o IBGE.

Segundo ele, quem tem dinheiro disponível está passando por um bom momento para compra já que, com os estoques altos, os incorporadores dão descontos entre 20% a 30% e diversos benefícios a quem adquirir imóveis novos.

Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi Rio, concorda, lembrando que os preços estão mais baixos, que há possibilidade de negociação e que a taxa Selic está em um patamar relativamente baixo.

Um estudo da Imovelweb divulgado sexta-feira mostrou que, pela primeira vez desde janeiro de 2017, o preço do metro quadrado deixou de cair no Rio.

Em setembro de 2018, o valor do metro quadrado médio na região se manteve em R$ 5.951/m². Nos últimos 12 meses, a queda acumulada neste valor, na cidade, foi de 2,5%.


- É hora de pesquisar com calma, de visitar os imóveis -aconselha ele.

Para os proprietários que desejam vender, Schneider alerta que é preciso sempre lembrar que o mercado imobiliário vive ciclos: surfou uma grande valorização entre 2009 e 2012, mas agora está em um período de baixa.


- Há muita oferta. Então , o proprietário deve flexibilizar, deve oferecer atrativos, seja um desconto ou uma benfeitoria. Se ele não tem dinheiro para a obra, ofereça um bom desconto. - aconselha.

'Minha Casa, Minha Vida' impulsiona vendas

Segundo o estudo do Secovi Rio, embora a Zona Norte tenha liderado o ranking do número de negociações, os cinco bairros com maior volume de vendas estão na Zona Oeste. O programa "Minha Casa, Minha Vida" ajudou a impulsionar as negociações em alguns bairros, entre eles Santa Cruz, onde foram negociadas 760 unidades residenciais e comerciais (com destaque para 309 casas) no segundo trimestre deste ano. A Barra, com 752 unidades, ocupa a segunda posição do ranking, seguida por Campo Grande, com 675 imóveis, Recreio (580) e Jacarepaguá (496).

Analisando-se as faixas de preço, a maior parte desses imóveis (58%) é de apartamentos que custaram menos de R$ 300 mil. A faixa seguinte (R$ 301 mil a R$ 600 mil), corresponde a 24% das vendas. Isto mostra que o mercado popular, mesmo com toda crise no Rio, continuou com as vendas em alta.


- Para aclasse C, existe uma demanda reprimida muito forte no setor de habitação que foi muito fomenta danos últimos 16 anos, atém esmoco ma criação deste programa habitacional. Além disso, não sofreu tão penosamente com o desemprego -analisa o professor Paulo Porto.

Uma das líderes do mercado de MCMV, a MRV está tendo ótimos resultados nos bairros de Campo Grande e Santa Cruz.


- Todos os lançamentos na Zona Oeste têm sido sucesso. O Rio Oceane, em Campo Grande, está 60% vendido -diz David Dornas, gestor comercial regional.

Também voltada para o programa habitacional, a mineira CAC Engenharia comemora os resultados no Rio. Com condomínios em Campo Grande e na Baixada, a empresa conseguiu atingir a "marca histórica" de mais de 100 unidade vendidas em um dia, afirma Bruno Teodoro, gerente comercial da CAC Engenharia.



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