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Condomínios do Recreio se unem para cuidar de espaços públicos

O Globo-Barra, Carolina Callegari, 31/jan

O nome Recanto do Recreio remete a um lugar aprazível. Se dentro de cada condomínio tem grama aparada, meio-fio sinalizado, pista e calçada lisas e limpeza efetiva, o cenário não se repete do lado de fora das cancelas dos residenciais, o que levou moradores a se unirem para cuidar de espaços públicos.

Afinal, a área do Recanto é praticamente isolada do restante do bairro, tendo como único acesso a ponte sobre o Canal do Cortado, que, segundo quem a utiliza, também é motivo de preocupação. Viver num local quase privativo tem suas vantagens. Por outro lado, o isolamento pode criar uma ilha cercada de problemas. No caso do Recanto, eles proliferam devido à dificuldade para ver realizados serviços básicos por parte do poder público.

Tanto tarefas simples (como trocar uma lâmpada do poste ou fazer a varredura da rua) quanto as mais complexas (a drenagem do canal, por exemplo) têm gerado dor de cabeça e cada vez mais protocolos de requerimento. Os moradores dizem que as solicitações feitas através da plataforma 1746 não são atendidas - mesmo as pedidas há meses. O jeito foi arregaçar as mangas e organizar mutirões, agora mais constantes. E mexer no próprio bolso: os condôminos têm se reunido para ceder funcionários e recursos para os serviços de manutenção.

A Associação dos Condomínios Residenciais, Empresariais e Amigos Recanto do Recreio (Associação Recanto do Recreio) está à frente da organização dos grupos. No início deste mês, durante cinco dias, algumas demandas foram sanadas (mais uma vez), ajustadas num calendário coletivo para cada empreendimento participar dentro do possível, explica o presidente da associação, Lúcio Oliveira, morador e síndico do Round Decks.


- Temos hoje 14 condomínios residenciais, fora os centros comerciais, e todos enfrentam os mesmos problemas. Há quase um ano venho reclamando das mesmas coisas, sem sequer ter resposta. Fiz uma convocação para organizarmos como cada um poderia contribuir. Pagamos nossos impostos e mesmo assim temos que arcar com mais esse custo - conta o Oliveira.

No último mutirão, cada condomínio ajustou seu quadro de funcionários, tirando-os das tarefas regulares para executarem outras, como poda de árvores e limpeza de canteiros e ruas públicas. Ações que exigem maquinário, como drenagem do canal ou desentupimento do valão na Avenida Miguel Antônio Fernandes, são feitas por empresas terceirizadas, com custos arcados por quem vive próximo às águas.


- Tiramos a pessoa de uma função dentro do condomínio para suprir o que compete ao poder público - resume Oliveira.

Se a união faz a força, também ajuda na economia. Mario Carvalho, morador do Life, calcula que seu condomínio diminuiu de R$ 60 mil mensais para R$ 25 mil o contrato com uma empresa de ônibus particular. Quando a linha 818-A parou de circular, cada condomínio decidiu pagar separadamente pelo serviço de transporte. Agora, as rotas foram remanejadas para contemplar todos. Eles passaram então a dividir os custos, gerando economia. A associação estima viverem hoje no Recanto cerca de 15 mil moradores.


- Agora temos os ônibus circulando para todos, tornando mais barato e com paradas em pontos importantes do bairro e da Barra. Tínhamos conseguido a linha específica que passava aqui, e do nada acabou. Tentamos a volta do serviço com todos os superintendentes que assumiram na Barra. Depois o comando foi dividido, e os responsáveis pelo Recreio nunca nos atenderam - lamenta Carvalho.

Condomínios acumulam funções

Outros serviços dependem mesmo da espera. Após meses de solicitações, na semana passada 36 lâmpadas foram trocadas. Mas não há resposta sobre o pedido de instalação de novos postes na entrada do Recanto, na Avenida Miguel Antônio Fernandes. E este não é o único problema da via. A ponte, único acesso para a região, tem mostrado sinais de rachaduras, segundo moradores. O tráfego intenso, em crescimento com o adensamento, chega a 3.500 veículos por dia, estima a associação. O receio é de a construção ceder.

Enquanto é pedida a vistoria, os residentes também querem sinalizações adequadas. A falta de pintura para alertar o quebra-molas na saída afetou diretamente um motorista distraído - ou desavisado - que perdeu o para-choque do carro enquanto a equipe de reportagem do GLOBO-Barra visitava o local.


- Esse é só um dos acidentes que acontecem - garante Lúcio Oliveira, presidente da Associação Recanto do Recreio, sem se surpreender.


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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]