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Locação de alto padrão no Rio fechou 2018 em recuperação e vacância cai

Valor Econômico, Rodrigo Carro, 01/fev

A tendência ainda frágil de recuperação do mercado carioca de locação de escritórios de alto padrão se confirmou no fim de 2018. A taxa de vacância - metragem disponível para aluguel em relação ao estoque total - fechou o último trimestre do ano passado em queda no Rio de Janeiro: 39,6%, contra 40,1% no período de julho a setembro. Foi o segundo trimestre consecutivo de queda depois de um longo período de elevação da vacância iniciado em 2013. O valor médio pedido pelos locadores, no entanto, permaneceu congelado durante quase todo o ano passado, uma vez que o percentual de imóveis não alugados permanece alto.

"O mercado do Rio de Janeiro terminou o ano com absorção líquida positiva", destaca Eduardo Cardinali, consultoria imobiliária Newmark Grubb, numa referência ao aumento da metragem quadrada ocupada em relação a 2017. "Isso mostra recuperação". Levantamento da consultoria indica que a absorção líquida totalizou 71 mil metros quadrados no ano passado.

Ainda assim, Cardinali é cauteloso com relação à continuidade da tendência de melhoria do mercado. "Ainda é um pouco cedo para afirmar se a recuperação no mercado do Rio vai se consolidar em 2019", reconhece o executivo responsável pela área de escritórios corporativos da Newmark Grubb no Brasil.

Na comparação entre o quarto trimestre de 2017 e o mesmo período do ano passado houve diminuição de 8,71% no preço pedido pelos proprietários.

A queda nos valores pedidos para locação corporativa foi essencial para estimular as negociações, esclarece o relatório da Newmark. A redução no número de novos escritórios entregues foi essencial para conter a superoferta de imóveis. Apenas um edifício corporativo de alto padrão, com cerca de 18 mil metros quadrados foi entregue na cidade no ano passado.

Na capital fluminense, o ano passado foi marcado por transações imobiliárias envolvendo grandes empresas, como Caixa Econômica Federal, Shell, Vale e Bradesco Seguros, explica Cardinali. "As empresas médias vão ter esse apetite todo?", questiona o executivo, lembrando que os espaços corporativos entre 500 e mil metros quadrados são relevantes no cômputo da metragem corporativa no Rio. "[A demanda das médias] é o que impulsiona o mercado do Rio."

A situação contrasta com a de São Paulo, onde a demanda das médias empresas por espaços corporativos já ensaia uma recuperação. "As transações não ficaram tão concentradas nas grandes companhias", compara Cardinali.

No segmento de condomínios industriais e logísticos, a absorção líquida também foi positiva no Rio de Janeiro no ano passado: aproximadamente 100 mil metros quadrados. "Só isso já é um bom sinal. O ano de 2017 terminou com absorção líquida negativa", compara Patrick Samuel, executivo responsável pela área de galpões e condomínios industriais da Newmark Grubb no país.

A vacância no quarto trimestre era de 30,9% para o segmento. O percentual é ligeiramente inferior ao registrado nos três meses anteriores (31,2%), mas ainda está acima do patamar registrado entre outubro e dezembro de 2017 (30%). De acordo com Samuel, as atividades que mais impulsionaram a ocupação de condomínios industriais e logísticos no Rio foram o varejo em geral e o varejo farmacêutico. A ampliação da demanda por esse tipo de imóvel depende, em grande parte, da confirmação de investimentos que estão em suspenso, à espera da aprovação pelo Congresso das reformas tributária, trabalhista e previdenciária, analisa o especialista.


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