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Gafisa pode receber até R$ 158 milhões

Valor Econômico, Chiara Quintão, 17/abr

A incorporadora Gafisa terá sua primeira tranche de aumento de capital com valor entre R$ 134 milhões e R$ 158 milhões, considerando-se que ocorra subscrição de 26.273.962 ações para que o capital social da companhia alcance o teto de 71.031.876 papéis. Ou seja, o limite do capital autorizado. O preço médio por papel definido para a operação foi de R$ 6,02, mas o valor cai para R$ 5,12 se levado em conta o bônus de subscrição de 15% para estimular a participação de atuais acionistas.

Ontem, as ações da companhia na B3 fecharam cotadas a R$ 7,44, com recuo de 0,40%.

Nos cálculos do Credit Suisse, a diluição máxima para os acionistas da Gafisa que não aderirem à primeira tranche do aumento de capital da companhia será de 40%. O BTG Pactual também ressaltou que o preço por ação proposto para a capitalização e a quantidade de papéis a serem emitidos vão significar uma grande diluição para os acionistas.

Analistas avaliam que a alavancagem da Gafisa continuará elevada mesmo após a primeira etapa do aumento de capital. O Credit estima que, se essa capitalização for feita no limite máximo permitido, a alavancagem da empresa cairia para o patamar de 100% a 110%, ante os 165% atuais, enquanto o BTG projeta alavancagem de 105%.

O preço de R$ 6,02 por ação foi definido por laudo da Eleven Research. Segundo o sócio fundador e estrategista-chefe da Eleven, Adeodato Volpi Neto, o cálculo desse preço se baseou no valor justo para a companhia antes da capitalização. "Considerando o que aconteceu com a Gafisa nos últimos 12 meses, não seria racional fazer um cálculo com base no preço de tela das ações da companhia", disse Volpi Neto.

Foram levados em conta, de acordo com Volpi Neto, ativos da Gafisa versus obrigações, e um "projeto de recuperação cíclica em um cenário estressado". "A Eleven trabalhou juntando informações públicas sobre a realidade da companhia, visão setorial profunda e reuniões com gestores das áreas de negócios mais importantes da Gafisa", diz.

Questionado se a capitalização ao preço de R$ 6,02 por ação será suficiente para fazer frente às necessidades da companhia, Volpi Neto informou que isso dependerá da utilização dos recursos. "O número reflete a visão que os gestores atuais transmitiram do que pretendem para a Gafisa no ciclo à frente", afirma.

O bônus de subscrição de 15% para os atuais acionistas não foi uma decisão da Eleven e sim do conselho de administração da Gafisa, segundo Volpi Neto.

Na segunda-feira, o conselho da Gafisa aprovou que seja emitido o total de 1.030.325 ações canceladas em 19 de dezembro e 370 mil ações canceladas em 22 de janeiro. Com isso, o capital social da companhia passa de 43.358 milhões para 44.758 milhões de ações. O limite do capital autorizado será alcançado com a subscrição proposta.

No dia 23 haverá votação do aumento do limite do capital autorizado para 120 milhões de ações. Na segunda-feira, o presidente da companhia, Roberto Portella, disse que a Gafisa espera que, em até 90 dias, seja concluída a segunda etapa da capitalização até esse limite de papéis.


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