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Prévia do IGP-M consolida desaceleração dos preços

Valor Econômico, Rafael Rosas, 18/abr

A segunda prévia de abril do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) mostra a consolidação da tendência de desaceleração puxada pelos alimentos, notadamente os in natura e as matérias-primas brutas. Em abril, o IGP-M subiu de 0,78% no segundo decêndio, contra 1,06% em igual período do mês anterior, conforme o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Ibre/FGV, André Braz, ressalta que a desaceleração do IGP-M começa a mostrar força pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA). Responsável por 60% do IGP-M, o IPA subiu 0,89% na segunda medição de abril, ante 1,41% em igual período de março.

Braz explica que alimentos com grande peso no IPA desaceleram ou caem de preços. Dentro do grupo das matérias-primas brutas, produtos importantes como soja, milho e trigo mostram queda ou desaceleração. Juntos, esses três produtos somam peso de 7,70% dentro do IPA. A soja passou de 1,86% na segunda prévia de março para 0,25% agora, enquanto o milho foi de 4,23% para -3,66% e o trigo foi de 1,18% para -0,44%.

Outro comportamento favorável veio dos in natura, subgrupo que passou de 12,91% no segundo decêndio de março para -0,23% agora. "Não vejo processo que interrompa a desaceleração. E o IPA perdendo fôlego contribuiu para um IPC mais baixo", ressalta Braz.

No IPC ainda não se percebe a desaceleração vista no IPA, principalmente por causa do comportamento de alguns administrados, notadamente a gasolina e os medicamentos. Na segunda prévia de abril, o IPC subiu 0,66%, ante 0,50% em igual período de março.

Braz lembra que os medicamentos passaram de 0,19% para 0,74% no período, fruto de um reajuste autorizado de 4,33%, que ainda terá efeito nas próximas divulgações. A gasolina, por sua vez, passou de 0,66% para 3,27% na mesma comparação. Juntos, medicamentos e gasolina têm peso de 6,11% no IPC, o que significa um peso de cerca de 2% no IGP-M.

Mas Braz pondera que as pressões de baixa vistas no IPA deverão chegar ao IPC. Na segunda medição de abril já se percebe desaceleração nas hortaliças e legumes, que ficaram em 8,74%, contra 11,42% na segunda prévia de março. "A parte sazonal da alimentação deve começar a desacelerar. Não visualizo nenhum choque de preços no horizonte."


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