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O desafio da mobilidade sustentável

O Dia, Artigo, Claudia Jeunon, 11/jun

Pessoas, trânsito, carros, meio ambiente e metrópoles. Essa é uma equação que não fecha mais no século 21. A mobilidade urbana é um dos grandes desafios para os maiores centros urbanos do mundo. Não mais por conta unicamente da qualidade e eficiência do transporte público ou de como comportar o crescimento da população, mas também pela dificuldade em pensar a mobilidade de forma sustentável.

Grandes metrópoles têm tomado medidas corajosas para tentar ordenar o espaço e ao mesmo tempo criar um ar mais limpo, com menos emissões. A exemplo do que já acontece em Londres, Nova York cobrará, a partir de 2021, um pedágio aos veículos que entrarem em seu centro urbano.

O dinheiro arrecadado com a iniciativa (cerca de R$ 3,9 bilhões por ano, em uma conversão direta) será utilizado exclusivamente em prol do transporte público e de ações ambientais. E isso acontece, vale frisar, em um país que sempre teve a indústria automobilística como um de seus pilares. A atitude nova-iorquina é louvável, principalmente considerando que beneficia a coletividade que utiliza o transporte público, em detrimento ao transporte individual, uma das maiores fontes de emissões de gases do efeito estufa em grandes metrópoles.

No Rio de Janeiro, segunda maior cidade do país, não poderia ser diferente. Segundo dados do Detran, somente na capital existem mais de 3,1 milhões de veículos, enquanto o IBGE projeta população de 6,6 milhões de pessoas. Ou seja, em média, praticamente um veículo para cada dois moradores. E a única razão que faria um motorista trocar o conforto do seu carro pelo transporte público é a oferta de um serviço de qualidade e que atenda de forma eficiente toda a cidade.

O transporte sobre trilhos é, sem dúvida, uma das soluções para criar um círculo virtuoso neste sentido e consta na agenda ambiental de 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente. Mais pessoas transportadas, menos carros, menos poluição, menos trânsito. Imagine o trânsito do Rio de Janeiro com meio milhão de carros a mais todos os dias.

Este é o número representativo que corresponde à proporção de veículos que seriam utilizados para transportar os cerca de 880 mil passageiros que utilizam diariamente o sistema do Metrô-Rio, empresa do grupo Invepar. Além de congestionamentos, essa frota extra de carros também representaria piora significativa na qualidade do ar.

O modal emite 96% menos gases do efeito estufa, o CO²e (dióxido de carbono equivalente), em relação aos automóveis. Cada composição, composta por seis vagões, corresponde, em número de usuários, a 23 ônibus convencionais, dez do tipo BRT ou 1.200 carros particulares (levando em conta estimativa de ocupação média de 1,5 passageiro por veículo de passeio).

Somente em 2018, o Metrô-Rio evitou a emissão líquida para a cidade do Rio de Janeiro de aproximadamente 80 mil toneladas de CO²e, o que corresponde, em volume, a 230 estádios do Maracanã, comprovando os benefícios ambientais em sua operação.

A preocupação com o meio ambiente não é mais mero modismo. Hoje, a sustentabilidade já faz parte do DNA das novas gerações, que muitas vezes desprezam marcas e empresas por não terem atitudes verdes. E é preciso haver políticas públicas voltadas para o assunto. Os efeitos das mudanças climáticas já tornaram nosso dia a dia mais extremo. Pensar no meio ambiente é não tornar nosso futuro inviável.

Claudia Jeunon é gerente executiva de Sustentabilidade, Marketing e Comunicação da Invepar

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Matéria impressa a partir do site da Ademi Rio [http://www.ademi.org.br]